Messias consulta ministros do STF antes de criticar Gilmar
Indicado de Lula buscou apoio de Mendonça e Nunes Marques antes de enviar manifestação que contesta decisão de Gilmar sobre pedidos de impeachment
Por: Redação
04/12/2025 às 08:22

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O advogado-geral da União e indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, só decidiu cobrar a revisão da decisão de Gilmar Mendes — que restringiu à PGR a prerrogativa de apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF — depois de consultar previamente integrantes da própria Corte.
Messias buscou orientação de ministros que hoje o ajudam a construir maioria no Senado para aprovar sua indicação ao Supremo. Entre eles, André Mendonça e Nunes Marques, ambos nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que têm atuado como importantes articuladores junto à ala conservadora do Senado.
A estratégia de Messias foi medir a reação interna do STF antes de enfrentar Gilmar publicamente. Interlocutores afirmam que o chefe da AGU tem operado em uma linha tênue: precisa agradar ao Senado — que reagiu duramente à decisão monocrática do decano — sem provocar desgaste irreversível dentro da Corte, onde pretende assumir uma cadeira nas próximas semanas.
A manifestação formal da AGU, enviada na noite de quarta-feira (3/12), pede que Gilmar suspenda os efeitos de sua decisão até que o tema seja analisado pelo plenário virtual, marcado para 12 de dezembro. O despacho de Gilmar surpreendeu Messias: segundo aliados, ele não esperava que o ministro antecipasse uma decisão individual antes do julgamento colegiado.
A situação se tornou ainda mais delicada porque Gilmar havia solicitado a manifestação da AGU em setembro — quando Messias já estava cotado para o STF. Por prudência política, a AGU optou por ficar em silêncio, omissão citada por Gilmar na própria decisão.
A divulgação do despacho na manhã de quarta obrigou Messias a reagir rapidamente, sob risco de ver senadores interpretarem seu silêncio como alinhamento automático com o STF — o que poderia dificultar ainda mais sua aprovação, que já enfrenta resistências, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A ofensiva contra a decisão de Gilmar funciona como um gesto de boa vontade ao Legislativo, que rejeitou a tentativa de restringir o poder do Senado e de retirar da sociedade o direito de denunciar ministros do Supremo.
Por outro lado, o movimento pode gerar atrito com uma ala influente da Corte — sobretudo a do ministro Alexandre de Moraes, alvo recorrente dos pedidos de impeachment e diretamente beneficiado pela blindagem criada por Gilmar.
Com isso, Messias tenta equilibrar-se entre dois fogos: não desagradar a Corte que deseja integrar e, ao mesmo tempo, mostrar força política ao Senado, que tem a palavra final sobre sua nomeação.
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