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Ministros de Lula concentram verbas federais em redutos eleitorais às vésperas de deixar o governo

Ministros de Lula concentram verbas federais em redutos eleitorais às vésperas de deixar o governo

Auxiliares que pretendem disputar eleições em 2026 intensificam repasses e agendas em seus Estados de origem

Por: Redação

09/02/2026 às 15:02

Imagem de Ministros de Lula concentram verbas federais em redutos eleitorais às vésperas de deixar o governo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que planejam disputar as eleições de outubro de 2026 aumentaram o envio de recursos federais para seus Estados de origem e passaram a intensificar agendas políticas em redutos eleitorais. O movimento ocorre às vésperas do prazo legal para desincompatibilização, que obriga os auxiliares a deixarem os cargos até abril para concorrer no pleito.

Levantamento divulgado pelo jornal O Globo aponta que André Fufuca (Esporte), Camilo Santana (Educação), Carlos Fávaro (Agricultura) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) aceleraram investimentos federais justamente nas regiões onde pretendem fazer campanha. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para o risco de desvio de finalidade no uso da máquina pública.

No Ministério do Esporte, comandado por André Fufuca, o Maranhão se tornou o principal destino de recursos da pasta. Em 2025, o Estado recebeu R$ 170,3 milhões para a construção de estádios e quadras esportivas — um aumento de 144,7% em relação ao ano anterior. O volume superou o destinado a unidades da federação mais populosas, como Rio de Janeiro e São Paulo. O ministério afirma que a distribuição seguiu critérios técnicos e justificou os repasses pelo déficit histórico de infraestrutura esportiva no Estado.

Já no Ministério da Agricultura, sob a gestão de Carlos Fávaro, prefeituras de Mato Grosso receberam R$ 132,9 milhões entre novembro e dezembro de 2025, alta de 209,7% na comparação com o período anterior. Fávaro, que pretende disputar uma vaga no Senado, também intensificou viagens ao Estado para entregar máquinas agrícolas e participar de eventos políticos em municípios estratégicos.

Na área da Educação, o Ceará despontou como o maior beneficiário de convênios para construção de creches e escolas de tempo integral. A pasta comandada por Camilo Santana enviou R$ 154,2 milhões a municípios cearenses. O ministro deve deixar o cargo em abril para reforçar a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas ou, eventualmente, disputar o comando do Estado.

No Ministério da Integração, Waldez Góes concentrou repasses no Amapá, seu reduto político. Dos R$ 71,8 milhões destinados via convênios, o governo estadual recebeu R$ 45,9 milhões, enquanto a capital Macapá, administrada por um adversário político, obteve apenas R$ 955 mil em um único convênio. Góes almeja uma vaga no Senado e tem utilizado as redes sociais para divulgar entregas de equipamentos no Estado.

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