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Moraes editou contrato de R$ 131 milhões ligado à sua mulher e ao Banco Master
Moraes editou contrato de R$ 131 milhões ligado à sua mulher e ao Banco Master
Registro atribui ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes” alteração feita no documento após devolução pelo banqueiro Daniel Vorcaro
Por: Redação
01/09/2026 às 10:33

Foto: Rosinei Coutinho/STF
Metadados de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicam que uma versão do documento foi aberta e modificada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
As informações foram divulgadas pelo Estadão nesta terça-feira (1º), a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero. Segundo a publicação, os registros do arquivo apontam que a alteração ocorreu em 15 de janeiro de 2024, às 23h04, cerca de uma hora e 40 minutos depois de o banqueiro devolver o documento com uma cláusula incluída.
O contrato havia sido encaminhado inicialmente por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024, por meio do celular pessoal da advogada. Quatro dias depois, o banqueiro devolveu o arquivo com marcas de revisão e informou que havia acrescentado apenas a cláusula I.3.
De acordo com os metadados apresentados na reportagem, foi justamente essa versão devolvida por Vorcaro que posteriormente foi aberta e modificada no sistema Office 365 utilizado pelo ministro. O arquivo, porém, identifica Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, como seu autor original.
Contrato previa pagamento de R$ 3 milhões líquidos por mês
O acordo previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, o que correspondia a R$ 108 milhões em valores líquidos. Como o contrato estabelecia que os pagamentos seriam livres de impostos, cada parcela teria valor bruto de R$ 3,646 milhões.
No total, o desembolso previsto pelo Banco Master chegaria a R$ 131.274.351,72.
Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024. Segundo documentos enviados à CPI do Crime Organizado do Senado, o escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Foram identificados 22 pagamentos de aproximadamente R$ 3,646 milhões até novembro de 2025.
Os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Negociação envolveu mensagens e pedido de sigilo
As mensagens obtidas na investigação também mostram a negociação do contrato entre Viviane e Vorcaro.
Depois da definição da versão final, o banqueiro questionou como deveria ocorrer a assinatura. Em resposta, Viviane, que estava fora do Brasil, orientou que as vias físicas fossem encaminhadas a Guilherme Benazzi, administrador do escritório.
Na mesma conversa, a advogada pediu que os documentos fossem enviados “em um envelope lacrado e confidencial”. O contrato acabou sendo assinado por Vorcaro em 23 de janeiro de 2024.
No dia seguinte, Viviane solicitou que o documento assinado também fosse enviado eletronicamente para que as partes pudessem concluir a assinatura no mesmo arquivo.
Moraes não se manifestou
O Estadão informou que procurou Alexandre de Moraes para obter esclarecimentos sobre a edição registrada nos metadados do documento. O ministro não se manifestou, segundo a reportagem.
A defesa de Daniel Vorcaro também não apresentou resposta sobre a informação publicada.
O levantamento divulgado pelo jornal ainda aponta que o patrimônio imobiliário de Moraes e de sua mulher teria aumentado 266% desde 2017, passando de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões. Esse dado aparece como parte do levantamento patrimonial apresentado na reportagem.
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