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Moraes telefonou seis vezes no mesmo dia para Galípolo durante análise do caso Banco Master, diz jornal

Moraes telefonou seis vezes no mesmo dia para Galípolo durante análise do caso Banco Master, diz jornal

Sequência de contatos reforça suspeitas de pressão sobre a autoridade monetária

Por: Redação

24/12/2025 às 09:00

Imagem de Moraes telefonou seis vezes no mesmo dia para Galípolo durante análise do caso Banco Master, diz jornal

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ligou seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, enquanto a autarquia analisava a operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Os contatos ocorreram em meio a um momento decisivo para o futuro da instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, que acabou sendo liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro, sob suspeitas de fraudes estimadas em mais de R$ 12 bilhões. À época das ligações, a operação era vista como a última alternativa para evitar o colapso do banco.

Segundo a reportagem, durante as conversas Moraes teria reiterado argumentos semelhantes aos utilizados por Vorcaro, incluindo a tese de que grandes bancos estariam receosos da concorrência representada pelo Master. Para críticos, a insistência do ministro — materializada em múltiplos telefonemas no mesmo dia — ultrapassa o padrão institucional esperado entre um magistrado da Suprema Corte e o chefe da autoridade monetária do país.

O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis diante da revelação de que o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, mantinha contrato de representação do Banco Master em Brasília, com honorários mensais de R$ 3,6 milhões, totalizando cerca de R$ 130 milhões entre 2024 e 2027. O acordo foi encerrado após a liquidação da instituição.

Após a repercussão, Moraes divulgou nota afirmando que os contatos com Galípolo tiveram como único objetivo tratar das consequências da Lei Magnitsky, sanção imposta ao ministro pelos Estados Unidos em julho de 2025, posteriormente derrubada. Segundo ele, as conversas se restringiram a dúvidas sobre manutenção de contas bancárias, cartões e movimentações financeiras pessoais.

O Banco Central confirmou a existência dos encontros e telefonemas, mas evitou comentar o conteúdo específico das conversas e não mencionou oficialmente o Banco Master em suas notas públicas. Galípolo, por sua vez, tem negado qualquer tipo de pressão, sustentando que todas as decisões da autarquia seguiram critérios técnicos e legais.

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