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Moraes vota contra anistia a partidos, mas STF forma maioria para manter emenda
Moraes vota contra anistia a partidos, mas STF forma maioria para manter emenda
Ministro acompanhou divergência em julgamento sobre perdão a legendas que descumpriram cotas eleitorais; placar está em 6 votos a 4
Por: Redação
19/06/2026 às 20:08

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes votou nesta sexta-feira (19) contra a emenda constitucional que concede anistia a partidos políticos por descumprimento de regras de financiamento eleitoral voltadas a candidaturas de mulheres e pessoas pretas e pardas. Com a manifestação do magistrado, o placar no Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 6 votos a 4 pela manutenção da norma aprovada pelo Congresso Nacional.
A emenda, aprovada em 2024, alterou regras de financiamento de campanhas e permitiu que legendas deixassem de pagar multas relacionadas ao não cumprimento dos percentuais mínimos destinados a esses grupos nas eleições.
Moraes acompanha ala contrária ao perdão
Ao votar, Alexandre de Moraes seguiu a corrente aberta pelo ministro Flávio Dino, que considera inconstitucional a anistia concedida aos partidos. Também integram essa posição os ministros Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Para esse grupo, o perdão das sanções representa um retrocesso nas políticas afirmativas e enfraquece mecanismos criados para ampliar a participação de mulheres e negros na política.
Maioria mantém texto aprovado pelo Congresso
Apesar da divergência, o STF já formou maioria para validar a emenda. O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, votou pela rejeição das ações que questionam a constitucionalidade da norma e foi acompanhado por Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes.
As ações foram apresentadas pela Rede Sustentabilidade, pela Federação Nacional das Associações Quilombolas e pela Procuradoria-Geral da República.
Como funciona a regra
Segundo o entendimento da maioria da Corte, a medida não configura uma anistia irrestrita. Pelo texto aprovado pelo Congresso, os partidos ficam dispensados do pagamento de multas aos cofres públicos, mas continuam obrigados a compensar os valores não destinados às cotas eleitorais.
A compensação deverá ocorrer nas quatro eleições seguintes, a partir do pleito de 2026, com aplicação dos recursos em candidaturas negras.
O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e está previsto para ser concluído em 26 de junho.
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