Mortes na Terra Yanomami chegam a 1.121 durante governo Lula
Dados do Ministério da Saúde enviados ao Congresso apontam número superior ao registrado no mesmo período da gestão Bolsonaro; governo contesta comparação e cita redução do garimpo ilegal
Por: Redação
22/08/2026 às 10:17

Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Terra Indígena Yanomami registrou 1.121 mortes entre 2023 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde encaminhados ao Congresso Nacional. O número é superior aos 951 óbitos contabilizados no período equivalente do governo Jair Bolsonaro, uma diferença de 170 mortes.
Os dados colocam a situação sanitária dos Yanomami entre os principais desafios enfrentados pelo governo federal na região. Segundo as informações apresentadas no documento, os óbitos estão relacionados a doenças e ao avanço do crime organizado no território indígena.
Governo Lula contesta comparação
O governo federal contestou a comparação entre os dois períodos. Segundo informação citada pela reportagem, a gestão Lula argumenta que os números precisam ser analisados considerando as condições da assistência de saúde em cada momento.
A diferença, porém, aparece nos próprios dados enviados pelo Ministério da Saúde ao Legislativo: foram 1.121 mortes de 2023 a 2025, contra 951 no período correspondente da administração anterior.
Garimpo ilegal é apontado como um dos problemas
Paralelamente aos dados sobre mortalidade, o governo afirma ter intensificado as operações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
De acordo com os números apresentados pela União, entre março de 2024 e agosto de 2026, houve uma redução de aproximadamente 99% na abertura de novas áreas de garimpo.
As operações realizadas no período também teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 768 milhões aos responsáveis pela atividade ilegal.
STF acompanha situação no território
A crise também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, Edson Fachin, procurou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), para discutir a realização de uma missão à Terra Yanomami nas próximas semanas.
A proposta é acompanhar presencialmente a situação das comunidades indígenas e avaliar as condições enfrentadas no território.
Os números apresentados ao Congresso colocam em evidência a persistência da crise sanitária na região, mesmo diante das ações anunciadas pelo governo federal para combater o garimpo e ampliar a presença do Estado.
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