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Motta admite mudanças na MP do IOF para evitar derrota do governo no Congresso

Motta admite mudanças na MP do IOF para evitar derrota do governo no Congresso

Presidente da Câmara afirma que texto “abrangente e complexo” precisará ser ajustado para garantir aprovação; votação está marcada para terça-feira (7)

Por: Redação

06/10/2025 às 08:51

Atualizado em 06/10/2025 às 09:09

Imagem de Motta admite mudanças na MP do IOF para evitar derrota do governo no Congresso

Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (6) que a Medida Provisória 1.303/2025, conhecida como MP do IOF, deve sofrer alterações para conseguir ser aprovada no plenário. A medida foi apresentada pelo governo federal como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras e busca reforçar a arrecadação para 2025 e 2026.

Segundo Motta, o texto enfrenta resistência entre diferentes setores e partidos, o que tem dificultado as negociações. “A MP é muito abrangente, trata de mudanças em muitos setores, o que torna o debate mais complexo”, afirmou o deputado, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

A votação da medida está prevista para terça-feira (7), mas já foi adiada três vezes. Caso não seja votada, a MP perderá validade na quarta-feira (8), o que representaria uma derrota política para o governo. O texto é considerado essencial pela equipe econômica, que estima uma arrecadação extra de R$ 10,6 bilhões em 2025 e R$ 18,3 bilhões em 2026.

Motta afirmou que o relator da medida, Carlos Zarattini (PT-SP), vem mantendo diálogo com as bancadas e com representantes do setor produtivo para construir um texto de consenso. “Às vezes o ótimo é inimigo do bom. O melhor texto é aquele que é possível aprovar”, disse o presidente da Câmara, ao indicar que o governo terá de ceder em alguns pontos.

Uma das principais concessões já feitas foi a manutenção da isenção do Imposto de Renda sobre investimentos de renda fixa, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Inicialmente, o governo pretendia aplicar taxação de 7,5%, o que gerou forte reação do agronegócio e de instituições financeiras.

Apesar da tentativa de flexibilizar o texto, Zarattini pretende manter medidas consideradas prioritárias pela equipe econômica, como:

  • aumento da taxa sobre casas de apostas (bets) de 12% para 18%;
  • elevação do Imposto de Renda sobre juros sobre capital próprio (JCP) de 15% para até 20%;
  • limite para compensações tributárias de empresas;
  • e ampliação da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para fintechs, de 9% para 15%.

A MP é vista como fundamental para sustentar o plano de ajuste fiscal do governo Lula e tentar cumprir a meta de déficit zero. No entanto, mesmo com as mudanças, o clima no Congresso segue de incerteza. Deputados da oposição classificam a proposta como “mais um aumento disfarçado de impostos” e alertam que o texto deve ser “desidratado” antes de ir à votação.

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