O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou pedidos de impugnação contra pelo menos 15 candidaturas no Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Em sete dos casos, os questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral envolvem suspeitas de vínculos dos candidatos ou de pessoas próximas a eles com atividades criminosas, como tráfico de drogas, milícia e contravenção.
As medidas integram uma atuação do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para analisar candidaturas que possam ter algum tipo de relação com organizações criminosas. As suspeitas, contudo, ainda estão sob análise judicial e não representam, por si só, comprovação de participação dos candidatos em crimes.
TRE-RJ já barrou candidatura de deputado
Um dos casos envolve o deputado estadual Val do Ceasa (PRD), que tenta disputar a reeleição. Na terça-feira (1º), o TRE-RJ decidiu por unanimidade rejeitar o registro da candidatura.
O parlamentar havia sido alvo de uma operação do Ministério Público por suspeita de ligação com a facção Terceiro Comando Puro (TCP). A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Candidata é questionada por suposta ligação com Comando Vermelho
Entre os pedidos apresentados pelo MPE está o que contesta o registro de Mariana de Souza (PP), candidata a deputada federal.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, ela teria “vínculos profundos com o alto escalão” do Comando Vermelho. Para o órgão, a eventual eleição representaria “grave risco de infiltração” da organização criminosa no Legislativo.
Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu”, apontado pelas autoridades como integrante da cúpula da facção.
Outros registros também são alvo de impugnação
O MPE também questionou a candidatura de Júnior da Lucinha (PSD), que disputa uma vaga de deputado estadual. Ele é filho da deputada estadual Lucinha, que responde a processo por suspeita de constituição de milícia privada.
Outro pedido envolve João Felipe Drumond Espínola (PRD), candidato a deputado estadual e neto do contraventor Luizinho Drumond.
Procurados pela CNN Brasil, Júnior da Lucinha e João Drumond negaram irregularidades e contestaram os argumentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral.
Justiça Eleitoral analisa influência do crime organizado
A ofensiva ocorre em um momento de maior atenção da Justiça Eleitoral para a possível influência de organizações criminosas sobre o processo eleitoral no Rio de Janeiro.
Os pedidos de impugnação ainda precisam ser analisados individualmente pela Justiça. Nos casos em que houver decisão desfavorável aos candidatos, ainda poderão existir recursos às instâncias superiores, conforme o andamento de cada processo.
A atuação do MPE busca impedir que suspeitas consideradas relevantes pelas autoridades resultem na participação de candidatos que possam representar risco de influência de estruturas criminosas dentro das instituições políticas.