Início
/
Notícias
/
Brasil
/
“Não sou bandido, sou mocinho”, diz advogado apontado como pivô da CPI do INSS
“Não sou bandido, sou mocinho”, diz advogado apontado como pivô da CPI do INSS
Eli Cohen nega tentativa de vender silêncio e afirma ser alvo de manipulação; caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias em aposentadorias e pensões
Por: Redação
07/10/2025 às 08:05

Foto: Divulgação
O advogado Eli Cohen, de 63 anos, figura central nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, afirmou nesta segunda-feira (7) que é vítima de uma tentativa de difamação e que o áudio divulgado em que supostamente negociaria seu silêncio foi “tirado de contexto”. “Não sou bandido, sou mocinho”, declarou Cohen em entrevista ao portal Poder360.
Segundo o advogado, o trecho em que aparece discutindo valores e mencionando empresários investigados não reflete uma tentativa de extorsão, mas uma simulação de conversa para compreender a atuação de supostos intermediários que, segundo ele, tentavam se aproveitar de seu nome. “Foi uma fala estratégica. Eu estava tentando entender o funcionamento da mentalidade criminosa daquele grupo”, explicou
Origem da CPI
Eli Cohen foi o responsável por entregar documentos e provas que deram origem à CPMI do INSS. O material revelou um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões, envolvendo contratos fraudulentos entre associações e servidores do Instituto Nacional do Seguro Social. Após a divulgação das denúncias, as investigações se ampliaram, e a Polícia Federal e o Ministério Público passaram a apurar a participação de empresários e advogados no desvio de recursos públicos.
Cohen argumenta que as recentes acusações contra ele tentam desviar o foco da apuração principal, que envolve nomes poderosos ligados ao setor previdenciário. “Estão tentando me transformar em vilão porque revelei o esquema. Isso é parte de uma estratégia para descredibilizar quem trouxe as provas à tona”, afirmou.
O áudio e as acusações
O áudio citado na reportagem foi gravado durante uma conversa entre Cohen e o ex-informante Danilo Trento, a quem o advogado acusa de ter usado seu nome para negócios ilícitos. Na gravação, ele afirma:
“Esquece, meu irmão, eu não sou bandido, eu sou mocinho”.
A gravação sugere uma possível negociação para silenciar depoimentos. Cohen nega categoricamente: “Jamais cogitei vender silêncio. A conversa foi interpretada de forma maliciosa e sem contexto. Eu estava explicando como essas pessoas agem, não propondo nada”, disse.
Citações e repercussões
A defesa do empresário Maurício Camisotti, que também é investigado pela CPMI e mencionado no áudio, afirmou em nota que “não comenta orientações prestadas a clientes”, mas reforçou que “sua conduta sempre foi pautada pela legalidade e pela busca imediata das autoridades competentes”.
A Polícia Civil de São Paulo, citada indiretamente no diálogo por meio da menção a três delegados, declarou que não recebeu comunicação formal sobre o caso e que a Corregedoria está à disposição da CPMI e do Ministério Público para colaborar.
Contexto
A CPI do INSS se tornou um dos focos de tensão em Brasília por envolver bilhões de reais em benefícios previdenciários, além de empresas ligadas a figuras políticas. O caso ganhou visibilidade após a prisão de Camisotti, acusado de tentar transferir R$ 59 milhões para criptomoedas após o início da operação Sem Desconto.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que o episódio reforça o desgaste do governo federal, que tem sido cobrado por falta de controle e transparência nas políticas de benefícios sociais. Já integrantes da base aliada tentam minimizar o impacto político do escândalo, argumentando que a CPMI é “midiática” e visa atingir adversários do governo.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




