O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu a cassação dos mandatos de Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (PSB-MS) caso seja comprovada a suspeita de que houve uma articulação para fabricar uma acusação de estupro contra Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
A declaração foi feita nesta quinta-feira (13), após novas informações sobre uma investigação conduzida pela Polícia Legislativa. O caso teve origem em um boletim de ocorrência registrado por Gaspar e o material reunido durante a apuração foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relato apresentado à Polícia Legislativa, o comerciante Luiz Antônio Lopes teria procurado Gaspar em abril para informar que havia tomado conhecimento de uma suposta articulação destinada a produzir uma denúncia falsa de estupro contra o parlamentar. Lopes prestou depoimento no fim daquele mês.
O comerciante afirmou ainda que teria percebido a movimentação de pessoas supostamente ligadas a Lindbergh e ouvido, por meio de terceiros, que uma entrevista com uma acusação contra Gaspar estaria sendo preparada. Também relatou que uma jovem envolvida no grupo teria dito receber valores entre R$ 2 mil e R$ 10 mil para participar da suposta farsa. Um assessor de Lindbergh também foi citado no depoimento. As informações, porém, permanecem sob investigação e não comprovam, até o momento, a participação dos parlamentares.
Nikolas cobra responsabilização
Ao comentar o episódio, Nikolas afirmou que Lindbergh e Soraya deveriam perder os mandatos caso as suspeitas sejam confirmadas.
“Se isso for comprovado, Lindbergh e Soraya Thronicke têm que ser cassados e punidos por isso.”
O deputado também criticou o que considera tratamento desigual na responsabilização de parlamentares. A avaliação foi feita no contexto de outros confrontos registrados no Congresso.
Até o momento, não há conclusão de que a suposta armação tenha efetivamente ocorrido nem de que Lindbergh ou Soraya tenham participado dela. Lindbergh negou a acusação e acionou o STF para tentar suspender e anular a investigação. Soraya, por meio de sua assessoria, informou que não comentaria novamente o caso.
Investigação também envolve denúncia contra Gaspar
Paralelamente à apuração sobre a possível fabricação da denúncia, a Polícia Federal recebeu um pedido para investigar Alfredo Gaspar por suspeita de estupro de vulnerável. O inquérito ainda não havia sido formalmente instaurado, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou informações complementares antes de se manifestar.
O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, no STF.
A controvérsia ganhou repercussão durante a CPMI do INSS, da qual Gaspar foi relator. Na ocasião, Lindbergh chamou o deputado de “estuprador”, enquanto Gaspar respondeu com acusações contra o petista. O parlamentar alagoano também recorreu à Justiça contra Lindbergh e Soraya em razão de declarações relacionadas ao episódio.
Gaspar ganha espaço na chapa de Flávio
Apesar da disputa política em torno do caso, Nikolas avaliou positivamente a escolha de Gaspar para a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro. O ex-promotor foi anunciado em 5 de agosto e ganhou projeção nacional durante sua atuação como relator da CPMI do INSS.
Nikolas destacou a experiência de Gaspar na segurança pública e sua atuação na comissão parlamentar.
“Acho que é, sim, um nome forte.”
O deputado também afirmou estar otimista com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que entra oficialmente na fase de propaganda eleitoral a partir de 16 de agosto.