Partidos políticos oficializaram para as eleições de 2026 candidaturas de pessoas que já foram investigadas por suspeitas de ligação com organizações criminosas. Um levantamento citado pela reportagem do site Revista Oeste identificou ao menos nove candidatos a deputado federal ou estadual nessa situação. Em sete casos, há questionamentos em andamento na Justiça Eleitoral.
Os registros foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda analisa a documentação. Caso sejam encontradas irregularidades, a Justiça Eleitoral poderá rejeitar os registros antes da realização do pleito.
Candidatos são alvo de diferentes investigações
Entre os nomes está Ney Santos (Republicanos-SP), ex-prefeito de Embu das Artes. Ele é réu em processo que apura suspeitas de liderança de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de ter sido investigado por possível ligação com o PCC.
O Ministério Público Eleitoral sustenta haver elementos que apontariam para a participação de Santos em atividades relacionadas ao crime organizado. A defesa nega as acusações e afirma que não existem provas de vínculo com a facção.
A irmã dele, Ely Santos (Republicanos-SP), também disputa uma vaga, desta vez na Assembleia Legislativa de São Paulo. A ex-deputada federal chegou a ser presa preventivamente entre 2016 e 2017 durante uma investigação sobre uma suposta organização criminosa que teria sido comandada pelo irmão.
A defesa de Ely nega qualquer relação com o PCC. O Republicanos-SP afirmou que os candidatos da legenda cumprem os requisitos previstos na legislação e que o partido possui regras internas para impedir a influência de organizações criminosas nas candidaturas.
Casos também envolvem candidatos na Paraíba e na Bahia
Na Paraíba, o ex-prefeito de Cabedelo Vitor Hugo Castelliano (MDB) concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa. A Procuradoria Eleitoral aponta uma suposta relação entre o grupo político do candidato e a Tropa do Amigão, organização associada ao Comando Vermelho.
Segundo o Ministério Público, haveria um acordo envolvendo apoio político da facção em troca de cargos e proteção administrativa. A defesa nega que pessoas nomeadas por Castelliano tivessem vínculos comprovados com organizações criminosas. O MDB informou que aguardará a decisão da Justiça Eleitoral.
Na Bahia, o deputado estadual Binho Galinha (Avante) tenta a reeleição mesmo estando preso preventivamente desde outubro de 2025. Ele foi condenado a 36 anos e 9 meses de prisão por crimes relacionados à posse de armas e munições ilegais e é investigado por suspeita de chefiar uma milícia em Feira de Santana.
A defesa afirma que não existem motivos legais para impedir a candidatura. O Avante não respondeu aos contatos mencionados na reportagem.
Ministério Público questiona candidaturas no Rio
No Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) mudou de plano eleitoral e passou a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. Durante a ação, um fuzil foi encontrado em seu veículo.
Canella nega as acusações. Durante sua gestão, também nomeou para cargos de secretário municipal duas pessoas condenadas por envolvimento com milícia, segundo o levantamento. O ex-prefeito afirma ter adotado medidas de combate ao crime.
A Procuradoria Eleitoral também analisa candidaturas de João Drumond (PRD-RJ), neto do bicheiro Luizinho Drumond, e Junior da Lucinha (PSD-RJ), filho da deputada Lucinha, que é acusada de ligação com milícia. Os dois candidatos negam envolvimento com atividades criminosas e afirmam ter ficha limpa.
Outro nome citado é o deputado estadual Val Ceasa (PRD-RJ), candidato à reeleição. Ele é investigado por suspeita de ligação com o Terceiro Comando Puro.
A situação ainda está em análise pela Justiça Eleitoral. Ser investigado ou responder a processo não significa, por si só, condenação definitiva, e os candidatos citados negam as acusações ou contestam os vínculos apontados pelas autoridades.