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PF aponta lucro de 20% em negociação envolvendo Lulinha e venda de cannabis ao governo
PF aponta lucro de 20% em negociação envolvendo Lulinha e venda de cannabis ao governo
Mensagens apreendidas indicam articulação de Roberta Luchsinger para intermediar negócio com o poder público; investigação também cita advogado ligado a Kassio Nunes Marques
Por: Redação
20/08/2026 às 09:12

Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) identificou mensagens que, segundo relatório da investigação, indicam uma negociação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e órgãos do governo federal. A proposta previa uma remuneração de 20% sobre o faturamento obtido com a venda de produtos à base de cannabis para o poder público.
As conversas analisadas pelos investigadores também mencionam o advogado Otto Medeiros, apresentado por Roberta como uma pessoa influente e ligada ao ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nome do advogado aparece nas apurações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF).
Contrato previa participação de 20% no faturamento
De acordo com o relatório da PF, uma minuta elaborada por Roberta estabelecia uma remuneração equivalente a 20% do faturamento da empresa com a comercialização de produtos de cannabis para órgãos públicos.
A lobista teria procurado apoio no Ministério da Saúde e encaminhado o documento a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, na tentativa de viabilizar a negociação.
Segundo os investigadores, não foram encontrados registros de que a proposta tenha avançado para outros órgãos do governo federal.
PF aponta possível representação de Lulinha
A investigação também analisa a atuação de Roberta em nome de Lulinha. Em relatório, a PF afirma que a lobista “aparentemente tinha autorização” para representá-lo.
A conclusão é baseada, entre outros elementos, em uma conversa na qual Roberta afirma: “Eu sou o Fábio”. A defesa de Lulinha não havia se manifestado sobre o conteúdo até a publicação do material, segundo a reportagem.
Além de Lulinha e Roberta, o projeto mencionado nas mensagens envolvia o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, que teria criado uma empresa para atuar no mercado de cannabis medicinal, e o ex-assessor parlamentar Gustavo Gaspar.
Roberta indicou advogado citado nas conversas
As mensagens mostram ainda Roberta recomendando Otto Medeiros como advogado para o grupo. Em conversa com Gaspar, ela descreveu o profissional como “bem influente” e fez referência a uma suposta sociedade com Kassio Nunes Marques.
O ministro, contudo, negou qualquer relação societária com o advogado. Em nota, Nunes Marques afirmou que nunca foi sócio de Otto Medeiros em qualquer empreendimento e confirmou apenas a existência de uma relação de amizade entre os dois. Também declarou que se considera impedido de atuar em processos no STF nos quais o advogado esteja envolvido.
O material ainda informa que Karine Nunes Marques, irmã do ministro, e Kevin de Carvalho Marques, filho dele, mantêm parceria profissional com Otto em processos judiciais. O vínculo entre o advogado e Lulinha, por sua vez, é anterior à negociação investigada: Medeiros já teria atuado na defesa do filho de Lula em processos tributários.
Ministério da Saúde nega possibilidade de contratação
O Ministério da Saúde afirmou que “nunca houve possibilidade de contratar cannabidiol”. A declaração contrasta com as conversas analisadas pela PF, nas quais os envolvidos discutem a tentativa de vender produtos de cannabis ao poder público.
A defesa de Roberta Luchsinger criticou a divulgação das informações e afirmou que os vazamentos prejudicam as investigações. Os advogados defenderam que o Ministério da Justiça apure a origem das informações divulgadas.
Otto Medeiros não comentou publicamente o caso, mas, segundo o material, negou a interlocutores qualquer relação societária com Kassio Nunes Marques. A investigação permanece em andamento, e os elementos reunidos pela PF ainda não representam uma conclusão definitiva sobre eventual prática criminosa pelos citados.
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