PF indicia 15 pessoas no caso Master; veja quem são os investigados
Por: Redação
29/10/2026 às 17:00

Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) indiciou 15 pessoas no primeiro inquérito sobre suspeitas de irregularidades nas operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os investigados estão o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
O relatório policial aponta a existência de uma estrutura que teria envolvido a criação e a transferência de carteiras de crédito sem comprovação adequada de sua existência. Segundo a PF, as operações movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos sem comprovação de existência, conforme a investigação.
Os indiciamentos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF). A PF também solicitou mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares.
Quem são os 15 indiciados
De acordo com o relatório policial e as informações divulgadas pela imprensa, os investigados teriam desempenhado diferentes funções nas operações. A PF divide os suspeitos em núcleos estratégico, financeiro, operacional, empresarial e jurídico.
1. Daniel Vorcaro
Ex-controlador do Banco Master, é apontado pela PF como o principal articulador das operações investigadas. Segundo os investigadores, ele teria coordenado as negociações e atuado como principal beneficiário econômico do esquema. Sua defesa contesta as conclusões do relatório e afirma que as operações não provocaram prejuízo ao BRB.
2. Paulo Henrique Costa
Ex-presidente do BRB, é apontado como integrante do núcleo estratégico. A PF investiga sua atuação nas decisões que permitiram a aquisição das carteiras de crédito pelo banco público. A defesa afirma que ele não tinha conhecimento das supostas fraudes e que identificou problemas nos ativos negociados.
3. Augusto Lima
Ex-sócio de Vorcaro, é apontado como participante do núcleo executivo-financeiro. Segundo a PF, teria mantido vínculos com associações de servidores públicos da Bahia e supervisionado o envio de documentos relacionados às carteiras de crédito. Sua defesa nega participação nas irregularidades.
4. Alberto Félix de Oliveira Neto
Ex-superintendente de tesouraria do Banco Master, é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Ele assinou o contrato de parceria entre o banco e a empresa Tirreno. Em depoimento à PF, afirmou que não tinha poder de decisão na instituição e que cumpria ordens.
5. Allan da Silva Machado
Gerente de operações bancárias do Banco Master, é apontado como responsável pela formação das carteiras de crédito e pela preparação de documentos utilizados nas transações. Segundo a investigação, teria coordenado a geração de cédulas de crédito bancário, procurações e outros registros.
6. Henrique Souza e Silva Peretto
Responsável formal pela empresa Tirreno, é investigado por sua atuação na estrutura empresarial relacionada às carteiras de crédito. A PF destaca que o capital social da empresa passou de R$ 100 para R$ 30 milhões durante o período analisado.
7. André Felipe de Oliveira Seixas Maia
Ex-funcionário do Banco Master e diretor da Tirreno, é apontado como integrante do núcleo de interposição empresarial. A investigação questiona a estrutura da empresa e sua participação na origem e na transferência dos créditos negociados com o BRB.
8. Daniel Lopes Monteiro
Advogado do Banco Master e sócio de um escritório de advocacia, é apontado pela PF como integrante do núcleo jurídico e de sustentação documental. Os investigadores apuram sua atuação na estruturação e na documentação das operações. Sua defesa já afirmou que ele atuava de maneira estritamente técnica e profissional.
9. Dario Oswaldo Garcia Junior
Diretor-executivo de finanças e controladoria do BRB, é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Sua atuação é investigada no contexto das operações realizadas entre as duas instituições.
10. Cristiane Maria Lima Bukowitz
Diretora-executiva de gestão de pessoas do BRB, aparece no relatório por sua participação em deliberações relacionadas às operações com o Master. Segundo a PF, ela esteve presente em reuniões nas quais as transações foram discutidas, sem registrar oposição.
11. Diogo Ilário de Araújo Oliveira
Ex-diretor-executivo de atacado e governo do BRB, foi incluído entre os indiciados por sua participação em deliberações sobre as operações. A PF ressalta que não identificou atuação direta dele na seleção ou na execução das carteiras, mas aponta sua presença em aprovações sem registro de oposição.
12. José Maria Correa Dias Junior
Ex-diretor-executivo de tecnologia do BRB, é investigado por sua participação em reuniões e decisões colegiadas que aprovaram operações com o Banco Master. Segundo a PF, sua vinculação ao caso deve permanecer delimitada às deliberações das quais participou.
13. Outros dois dirigentes ligados ao BRB
O relatório também inclui outros dois integrantes da estrutura de direção do banco público, investigados por sua participação nas decisões relacionadas às operações. A avaliação policial considera as atribuições funcionais de cada um, as informações disponíveis no momento das votações e o grau de conhecimento sobre possíveis irregularidades nos ativos.
14. Integrante do núcleo financeiro
Outro investigado é apontado pela PF como participante das atividades financeiras relacionadas às carteiras de crédito e às transações entre as instituições. A apuração busca estabelecer sua responsabilidade individual e o nível de conhecimento sobre as possíveis irregularidades.
15. Integrante do núcleo empresarial
O último nome da relação está associado à estrutura empresarial utilizada nas operações investigadas. A PF apura sua participação na documentação e na circulação dos ativos questionados.
Observação: os perfis dos 12 primeiros nomes acima estão identificados nas informações jornalísticas consultadas. Os três últimos perfis foram mantidos sem atribuição nominal ou funcional específica porque não foi possível confirmar com segurança, no material acessível, os respectivos nomes e detalhes. Para uma publicação jornalística, é necessário conferir esses dados na relação completa do relatório ou na matéria original antes de divulgar a lista como definitiva.
O que a PF investiga
A investigação apura suspeitas de que créditos adquiridos pelo Banco Master da consultoria Tirreno tenham sido apresentados como ativos financeiros sem lastro adequado e posteriormente transferidos ao BRB.
Segundo a PF, parte dos créditos teria sido montada em planilhas eletrônicas, convertida em cédulas de crédito bancário e registrada formalmente. A perícia também questiona a estrutura operacional da Tirreno, que, de acordo com os investigadores, não teria empregados, patrimônio ou capacidade compatível com as operações realizadas.
A corporação investiga possíveis crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outras condutas atribuídas individualmente aos envolvidos.
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