PF pede mais 60 dias para concluir investigação sobre o Banco Master
Por: Redação
29/10/2026 às 12:05

Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) solicitou mais 60 dias para aprofundar as investigações sobre as operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O pedido consta no mesmo relatório em que a corporação indiciou 15 pessoas, entre elas o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Segundo informações divulgadas pelo Poder360 nesta quinta-feira (29), a prorrogação foi solicitada para permitir a conclusão de exames periciais, a realização de diligências complementares e o aprofundamento de outras linhas de investigação ainda em andamento.
A PF afirma que o caso envolve um grande volume de documentos, contratos, registros bancários, dados contábeis e comunicações eletrônicas. A análise integrada desse material exige procedimentos técnicos especializados antes que todas as frentes da apuração possam ser concluídas.
Operações de R$ 17,5 bilhões sob investigação
A investigação apura negociações envolvendo carteiras de crédito transferidas pelo Banco Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. De acordo com os elementos reunidos pela Polícia Federal, as operações movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos.
Desse montante, ao menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não teria sido devidamente comprovada, segundo a investigação. A suspeita é de que operações financeiras tenham sido estruturadas com ativos sem lastro adequado, levando as instituições a realizar transações potencialmente fraudulentas.
O relatório policial aponta possíveis crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As responsabilidades individuais dos investigados deverão ser avaliadas pelas autoridades competentes.
Vorcaro e ex-presidente do BRB estão entre os indiciados
Além de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, outras 13 pessoas foram indiciadas no relatório. O grupo inclui executivos e dirigentes ligados às instituições financeiras e a empresas relacionadas às operações investigadas.
O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial de que existem elementos que apontam para o possível envolvimento dos investigados em crimes. A medida, entretanto, não equivale a uma condenação judicial.
A Polícia Federal esclareceu que o relatório apresentado reúne as frentes da investigação nas quais já haveria elementos probatórios considerados suficientes. Outras hipóteses criminais continuam sob apuração e dependem da conclusão de perícias e de novas diligências.
Defesa de Vorcaro contesta investigação
A defesa de Daniel Vorcaro contestou o indiciamento e classificou a medida como precipitada. Os advogados argumentam que a própria solicitação de mais prazo demonstra que a investigação ainda não foi concluída.
Em manifestação divulgada à imprensa, a defesa afirmou que ainda existem materiais apreendidos sem análise, exames periciais pendentes e diligências a serem realizadas. Também contestou a existência de provas técnicas que comprovem fraude ou prejuízo ao BRB.
Os advogados sustentam ainda que as operações foram realizadas com base em decisões técnicas e procedimentos de governança das instituições financeiras. A defesa pediu o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro.
Investigação continua
Com o pedido de prorrogação, a PF pretende avançar na análise dos documentos e das movimentações financeiras, além de esclarecer outras possíveis irregularidades relacionadas ao caso.
O andamento da investigação deverá depender da conclusão das perícias e das diligências pendentes, bem como da avaliação das autoridades responsáveis pelo inquérito. A apuração busca esclarecer a extensão das operações, identificar eventuais responsabilidades e reunir elementos para definir os próximos passos judiciais.
Até a conclusão dos trabalhos, os fatos investigados permanecem sujeitos à análise das autoridades competentes, e os indiciados têm direito à presunção de inocência.
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