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PF investiga negociações de R$ 627 milhões no Ministério da Saúde envolvendo Lulinha
PF investiga negociações de R$ 627 milhões no Ministério da Saúde envolvendo Lulinha
Apuração reúne propostas para venda de medicamentos à base de Cannabis, testes de dengue e parcerias com estatal de Goiás; nenhuma das tratativas avançou
Por: Redação
25/08/2026 às 10:51

Foto: Divulgação
A Polícia Federal investiga três negociações que poderiam movimentar até R$ 627 milhões no Ministério da Saúde e que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
As tratativas analisadas pelos investigadores incluíam a venda de medicamentos à base de Cannabis, o fornecimento de testes para diagnóstico de dengue e propostas de parceria com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). Nenhuma das iniciativas chegou a ser efetivada pelo governo.
Investigação aponta possível participação de Lulinha
A PF apura uma possível atuação conjunta entre Lulinha, Roberta e Camilo Antunes. Os investigadores afirmam que Lulinha teria interesses econômicos em comum com a lobista e seria um beneficiário indireto das ações conduzidas por ela.
Um dos negócios analisados envolvia a compra centralizada de 1,2 milhão de frascos de medicamentos, fornecidos por quatro empresas, entre elas a WorldCann.
De acordo com a investigação, Roberta teria afirmado representar Lulinha e solicitado 20% de remuneração pela operação. A proposta foi considerada inviável por fontes do mercado privado e do governo.
Projeto com canabidiol previa compra de 1,2 milhão de frascos
Roberta e Camilo Antunes se aproximaram em fevereiro de 2024. No mês seguinte, os dois se reuniram com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, para apresentar um plano relacionado à regularização de produtos no Brasil.
O secretário informou que a questão estava sob competência da Anvisa.
Em maio daquele ano, Roberta encaminhou ao ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, rascunhos de documentos relacionados à contratação.
A PF afirma que Roberta dizia representar Lulinha e que o filho do presidente receberia parte dos ganhos da operação.
Proposta de testes de dengue chegava a R$ 1 bilhão
Outra frente investigada envolve uma proposta para fornecimento de testes rápidos para arboviroses, incluindo dengue.
O projeto previa um contrato de aproximadamente R$ 1 bilhão, por meio de uma empresa importadora. Profissionais do mercado consultados na apuração consideraram o valor incompatível com os padrões das compras públicas.
A investigação também aponta que o Ministério da Saúde gasta cerca de R$ 5 milhões por ano com medicamentos à base de Cannabis e depósitos judiciais relacionados aos produtos. A maior parte das doses é custeada por Estados e municípios.
Iquego aparece em outra frente
Os investigadores também analisam tentativas de estabelecer parcerias com a Iquego, empresa estatal de Goiás.
Relatórios de gestão apontam que 25 projetos foram apresentados à estatal nos últimos anos, mas todos acabaram rejeitados pela área técnica do Ministério da Saúde.
A apuração cita ainda o pagamento de R$ 500 mil da WorldCann a Manoel Arruda, que afirmou ter recebido o dinheiro por serviços de consultoria jurídica relacionados aos projetos da Iquego. Ele declarou ter devolvido o valor após a deflagração da Operação Sem Desconto.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
Os advogados de Roberta afirmaram que só irão se manifestar dentro do processo, enquanto a defesa de Camilo Antunes disse aguardar acesso aos autos para apresentar sua posição.
Já os advogados de Marco Aurélio Ribeiro afirmaram que os R$ 217 mil pagos por Roberta em despesas dele eram empréstimos pessoais já quitados. A defesa também criticou a divulgação de informações da investigação.
O Ministério da Saúde informou que nenhuma das propostas teve encaminhamento ou repercussão dentro da pasta e ressaltou que suas compras são realizadas por meio de concorrências públicas.
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