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PGR aponta esquema de emendas desviadas e liga ex-assessora de Lira a organização criminosa
PGR aponta esquema de emendas desviadas e liga ex-assessora de Lira a organização criminosa
Paulo Gonet sustenta que funcionária da Câmara controlava indicações do orçamento secreto para favorecer grupo voltado a desvios e crimes contra a administração pública
Por: Redação
12/12/2025 às 16:15

Foto: Pablo Valadares/Agência Câmara
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) indicam a atuação de uma ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) em um esquema de controle e direcionamento de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto”. Segundo o chefe do Ministério Público, a prática teria beneficiado uma organização criminosa dedicada a desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.
A investigada é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara dos Deputados e atualmente lotada na Liderança do Partido Progressista (PP). Ela foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira (12), tanto em sua residência quanto no local de trabalho. Durante a operação, agentes da PF apreenderam o celular da assessora.
Em manifestação nos autos, Gonet afirmou que o pedido da Polícia Federal está “encorporado com significativos elementos”, amparados por depoimentos e análises técnicas que apontariam para a atuação ilícita de Mariângela. O procurador destacou ainda que os dados reunidos sugerem um papel central da investigada no controle da alocação de emendas parlamentares e na distribuição de recursos públicos.
Embora formalmente vinculada hoje à Liderança do PP, Mariângela segue trabalhando com a liberação de emendas parlamentares, atualmente assessorando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nos bastidores, ela é considerada uma especialista no tema e, segundo a investigação, continuaria exercendo funções semelhantes às que desempenhava durante a gestão de Arthur Lira na presidência da Casa.
Gonet ressaltou que o histórico da servidora em cargos estratégicos, somado à análise de dados telemáticos, reforça as suspeitas. Planilhas e tabelas armazenadas em nuvem, segundo o procurador-geral, seriam provas relevantes do papel “crucial” da investigada na engrenagem de distribuição das emendas.
O parecer do PGR foi solicitado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator de ações relacionadas às emendas parlamentares, antes de autorizar a deflagração da operação.
A ação policial, batizada de Operação Transparência, não tem Arthur Lira como alvo direto. Ainda assim, mandados foram cumpridos dentro da Câmara dos Deputados, evidenciando a gravidade das suspeitas. A investigação apura possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos por meio do orçamento secreto, envolvendo um montante estimado em R$ 4,2 bilhões.
No curso das apurações, a PF ouviu parlamentares de diferentes partidos, como Glauber Braga (PSol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG), o que reforça o alcance transversal do esquema investigado.
Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a assessora “não cometeu nenhuma irregularidade funcional ou criminal”. Os advogados sustentam que sua atuação sempre foi “estritamente técnica, apartidária e impessoal” e que a operação teve como único objetivo acessar informações relacionadas às atribuições administrativas exercidas por ela na Câmara, especialmente no que diz respeito às indicações de emendas parlamentares feitas por deputados.
O avanço da investigação reacende o debate sobre os impactos do orçamento secreto e a fragilidade dos mecanismos de controle na destinação de recursos públicos, tema que segue sob escrutínio do STF, da PGR e da Polícia Federal.
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