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Saúde descartou R$ 108 milhões em 2025; parte dos itens ainda estava dentro da validade
Saúde descartou R$ 108 milhões em 2025; parte dos itens ainda estava dentro da validade
Em três anos, gestão Lula já descartou R$ 2 bilhões em vacinas e medicamentos; CGU aponta falhas de controle
Por: Redação
22/02/2026 às 09:11

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. Desse total, 17,1% — o equivalente a R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade quando foram descartados.
Apesar de representar redução em relação aos anos anteriores, o montante permanece acima do patamar registrado antes da pandemia de Covid-19. Segundo dados fornecidos pela pasta por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a taxa de incineração correspondeu a 1,48% do estoque total em 2025. A meta oficial para 2026 é reduzir o índice para 1%.
Itens de alto custo entre os descartes
Entre os produtos incinerados estão equipamentos hospitalares, como uma bomba de infusão adquirida por R$ 900 e dois kits de monitoramento de glicose comprados por R$ 58,99 cada — itens que só venceriam em dezembro de 2050. A aquisição ocorreu em julho de 2019, após decisões judiciais.
Medicamentos de alto custo também foram destruídos mesmo com validade vigente. É o caso do blinatumomabe (R$ 141.929,07 por unidade), utilizado no tratamento de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), e do brentuximabe vedotina (R$ 88.905,59 por unidade), indicado para linfomas. Tratamentos para doenças raras e vacinas contra a dengue também constam na lista.
Recorde histórico na atual gestão
Nos três primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministério já incinerou cerca de R$ 2 bilhões em produtos — valor 3,3 vezes superior aos R$ 601,5 milhões descartados durante todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pico da série histórica ocorreu em 2023, quando os descartes atingiram R$ 1,3 bilhão. Imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos amplamente utilizados durante a pandemia figuram entre os principais itens.
A pasta também revisou os números de 2022, corrigindo o total de R$ 460,7 milhões para R$ 457,7 milhões em descartes.
Justificativas e auditoria da CGU
O ministério atribui as incinerações a cinco fatores principais: flutuações na demanda, judicialização, mudanças epidemiológicas, atualizações de protocolos de tratamento e avarias técnicas.
No caso de medicamentos adquiridos por decisão judicial, a pasta afirma que fatores como suspensão de decisões, falecimento do paciente, alteração de tratamento ou devolução do item impedem o retorno ao estoque, conforme normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Após reportagens apontarem o recorde de descartes, a Controladoria-Geral da União realizou auditoria e identificou falhas no controle de estoques e na gestão logística. O órgão recomendou medidas como definição de limites aceitáveis de perdas, aprimoramento de sistemas, monitoramento descentralizado e revisão de critérios para recebimento de insumos.
Segundo o ministério, todas as recomendações “já foram cumpridas ou estão em fase final de execução”. A pasta também afirma que itens incinerados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos conforme os contratos.
Em nota, o ministério declarou ter promovido modernização digital, criação de sala de situação e adoção de modelos preditivos para melhorar a gestão. Sustenta ainda que não há desperdício quando há ressarcimento ou cumprimento de normas sanitárias.
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