Suspeito de fraude bilionária no INSS bloqueia celular diante da CPMI
Empresário teria usado recurso do próprio iPhone para impedir acesso da polícia a dados ligados a desvio de até R$ 1,4 bilhão
Por: Redação
03/03/2026 às 08:08

Foto: Reprodução/YouTube
Investigado por suspeita de desviar até R$ 1,4 bilhão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de um esquema de fraude em biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados, o empresário Igor Dias Delecrode utilizou um recurso de segurança do próprio celular para dificultar a investigação conduzida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.
Segundo apuração, Delecrode acionou os mecanismos de proteção do iPhone logo após a comissão aprovar a apreensão do aparelho, durante sessão realizada em 10 de novembro de 2025. O procedimento ocorreu diante dos parlamentares, sem que fosse percebido no momento.
Relatório da Polícia Federal aponta que o empresário desligou e reiniciou o aparelho — um iPhone 17 Pro Max — às 19h37. Com isso, o dispositivo entrou no estado conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”, no qual as chaves de criptografia são removidas da memória ativa.
Nesse modo, mensagens, arquivos e registros ficam inacessíveis sem a senha do usuário. Delecrode se recusou a fornecer o código de desbloqueio.
Peritos concluíram que há “plena coerência” entre as imagens da sessão, os registros internos do telefone e o bloqueio identificado na perícia. Para os técnicos, o procedimento foi realizado pelo próprio usuário com o objetivo de proteger as informações armazenadas.
A apreensão do celular foi aprovada a partir de requerimento do relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). O aparelho foi entregue ao presidente do colegiado, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e repassado à Polícia Legislativa.
Durante o depoimento, o advogado Levy Magno orientou o investigado a não informar a senha, alegando que a apreensão dependeria de autorização judicial. O pedido de devolução do telefone foi negado.
Em fevereiro, Gaspar e Viana chegaram a solicitar à Justiça a prisão preventiva do empresário, que segue em liberdade.
Investigadores agora recomendam a recuperação de dados armazenados em nuvem, a quebra de sigilo junto à operadora Claro e a apuração de um número internacional identificado na perícia.
A polícia apura se Delecrode atuou em conjunto com entidades como:
Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap);
Amar Brasil Clube de Benefícios;
Master Prev;
Andapp;
AAPEN.
O caso integra o escândalo conhecido como “Farra do INSS”, que investiga descontos indevidos e fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas.
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