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Toffoli afasta Polícia Federal e impõe peritos escolhidos pelo STF em investigação do caso Master

Toffoli afasta Polícia Federal e impõe peritos escolhidos pelo STF em investigação do caso Master

Decisão do ministro altera protocolo técnico, concentra controle no Supremo e provoca reação interna na corporação

Por: Redação

16/01/2026 às 10:19

Imagem de Toffoli afasta Polícia Federal e impõe peritos escolhidos pelo STF em investigação do caso Master

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento da Polícia Federal da condução direta da perícia técnica no material apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga operações envolvendo o Banco Master. Em decisão inédita no caso, Toffoli escolheu pessoalmente quatro peritos da PF para atuar na extração e análise dos dados, sem submeter os nomes à direção da corporação.

A medida rompe com o procedimento tradicional, no qual a definição dos peritos passa pela hierarquia técnica da Polícia Federal. Segundo o despacho, os profissionais indicados terão “livre acesso ao material apreendido” e atuarão com apoio direto da Procuradoria-Geral da República, centralizando o trabalho técnico sob supervisão do STF.

A decisão gerou reação imediata dentro da PF. Integrantes da corporação classificam o gesto como interferência direta nas atribuições técnicas da carreira pericial. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, avaliam recorrer da medida, segundo apuração publicada pela Revista Oeste.

 

Controle do material e risco às provas

Antes de nomear os peritos por conta própria, Toffoli já havia determinado que todos os dispositivos eletrônicos apreendidos — como celulares e computadores — permanecessem lacrados e sob guarda direta do STF, restringindo inicialmente o acesso à PGR. Investigadores da PF manifestaram preocupação com o risco de perda ou destruição de dados, inclusive por acesso remoto, caso a extração não fosse conduzida de forma imediata e sob os protocolos usuais da corporação.

Mesmo diante dos alertas, o ministro manteve o material fora do alcance da Polícia Federal, reforçando a centralização das decisões no Supremo.

A Operação Compliance Zero cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em sua segunda fase, com recolhimento de bens de alto valor — incluindo veículos, relógios de luxo, eletrônicos e uma arma de fogo. O STF também determinou o bloqueio e sequestro de ativos que somam mais de R$ 5,7 bilhões, em ações realizadas em cinco Estados.

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