Vorcaro ameaçou até empregada doméstica: “Tem que moer essa vagabunda”
Conversas citadas na investigação mostram Daniel Vorcaro mandando levantar dados de funcionários, doméstica e jornalistas por meio de grupo chamado “A Turma”
Por: Redação
04/03/2026 às 18:53

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, revelou mensagens em que o empresário ordena a intimidação de pessoas consideradas adversárias, incluindo funcionários, uma empregada doméstica e jornalistas.
As conversas foram identificadas durante a investigação da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e tentativa de obstrução de Justiça envolvendo o Banco Master.
Em uma das mensagens analisadas, Vorcaro reage a um desentendimento com uma funcionária doméstica identificada como Monique. No diálogo, ele escreve: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
A conversa ocorreu com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela investigação como coordenador operacional de um grupo chamado internamente de “A Turma”, responsável por monitorar e intimidar pessoas consideradas ameaça aos interesses do banqueiro.
Após receber a mensagem, Mourão questiona o que deveria fazer. Vorcaro responde: “Puxa endereço tudo.” Para os investigadores, a ordem indica que o grupo deveria localizar a mulher e levantar informações pessoais.
Outro episódio citado na decisão judicial envolve um funcionário que teria feito uma gravação considerada indesejada pelo empresário.
Segundo as mensagens analisadas, Mourão obtém documentos e dados pessoais do trabalhador. Vorcaro então sugere pressionar o funcionário de forma indireta.
“O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”
De acordo com a decisão do STF, as conversas indicam que o grupo operava para levantar informações pessoais, monitorar pessoas e intimidar adversários.
As investigações apontam que Mourão coordenava uma estrutura chamada “A Turma”, formada para acompanhar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro.
Segundo os autos, integrantes do grupo realizavam atividades como levantamento de dados pessoais, monitoramento de alvos e coleta de informações.
A investigação também menciona a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como integrante do núcleo responsável por obter informações e auxiliar nas atividades de vigilância.
Outro investigado é Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, descrito pelas autoridades como responsável por operacionalizar pagamentos e repasses financeiros ligados ao grupo.
Ao autorizar as prisões, o ministro André Mendonça afirmou que o conteúdo das mensagens aponta indícios da existência de uma estrutura voltada à intimidação de pessoas e possível interferência nas investigações.
Para o magistrado, as conversas indicam risco de continuidade das práticas investigadas e possibilidade de pressão sobre testemunhas ou vítimas, o que justificou a decretação das prisões preventivas.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e negou qualquer tentativa de obstrução das investigações.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, diz o comunicado.
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