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Vorcaro tenta terceira delação após defesa não encontrar brechas para anular processo

Vorcaro tenta terceira delação após defesa não encontrar brechas para anular processo

Novo advogado busca reabrir negociações com PF e PGR; ex-banqueiro quer apresentar uma colaboração mais ampla em meio à pressão pela prisão domiciliar

Por: Redação

14/08/2026 às 09:06

Imagem de Vorcaro tenta terceira delação após defesa não encontrar brechas para anular processo

Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, prepara uma terceira tentativa de acordo de colaboração premiada após as duas propostas anteriores serem rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Preso novamente desde março, o banqueiro reforçou a equipe de defesa e passou a apostar em uma nova estratégia para tentar reduzir as condições de seu encarceramento.

O criminalista Daniel Bialski foi contratado para atuar ao lado de Sérgio Leonardo, que acompanha o caso desde o início. Bialski pretende se reunir com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, para apresentar a disposição de Vorcaro em retomar as tratativas.

A defesa sustenta que Vorcaro está disposto a prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. Antes de apresentar uma nova proposta, porém, os advogados pretendem aprofundar o levantamento das acusações e das informações já fornecidas nas duas tentativas anteriores.

 

Defesa quer reconstruir estratégia

A nova equipe jurídica não pretende simplesmente reapresentar os acordos anteriores. A ideia é começar as negociações novamente, com uma colaboração considerada mais ampla e com informações que possam ser efetivamente novas para os investigadores.

Para isso, os advogados solicitaram ao STF autorização para ampliar o período de visitas a Vorcaro na unidade prisional, chegando a seis horas diárias. O objetivo seria fazer um levantamento detalhado do que o ex-banqueiro sabe sobre o esquema investigado na operação Compliance Zero e identificar informações e nomes que ainda não tenham chegado às autoridades.

A defesa também pretende que eventual negociação seja conduzida simultaneamente com a PF e a PGR, evitando tratativas separadas com cada instituição.

 

Três obstáculos para uma nova delação

As duas propostas anteriores deixaram uma série de exigências que Vorcaro precisaria superar para viabilizar uma terceira colaboração.

Um dos principais pontos é a necessidade de assumir formalmente a responsabilidade pelos crimes investigados. Outro envolve o ressarcimento dos valores: as autoridades ainda questionam quanto deverá ser devolvido e onde estariam os recursos desviados no esquema, cujo rombo é estimado em cerca de R$ 60 bilhões.

O terceiro obstáculo é a apresentação de fatos realmente novos. Segundo a apuração citada no documento, a PF considera que boa parte das informações fornecidas por Vorcaro já estava disponível em celulares e outros dispositivos apreendidos durante as investigações.

Na PGR, a resistência seria ainda maior. Procuradores envolvidos no caso considerariam encerradas as negociações com o ex-banqueiro, diante das recusas anteriores, da ausência de elementos novos e da resistência em assumir responsabilidade pelos crimes.

 

Pressão por prisão domiciliar

A mudança de estratégia teria partido do próprio Vorcaro. Segundo a publicação, o ex-banqueiro estaria convencido de que uma colaboração premiada é o caminho mais rápido para conseguir a prisão domiciliar.

A defesa chegou a negociar com integrantes de pelo menos três escritórios antes de confirmar a contratação de Bialski. A entrada do novo advogado também provocou tensão com Sérgio Leonardo, que vinha concentrando a estratégia no questionamento das acusações e das provas, e não na negociação de um acordo.

Depois de cinco meses preso e diante das sucessivas rejeições às propostas, Vorcaro teria demonstrado insatisfação com a situação. Para investigadores, entretanto, a terceira tentativa perdeu o elemento de espontaneidade, já que ocorre depois de duas propostas recusadas e de uma mudança anterior na estratégia de defesa.

 

Família também está presa

A pressão não se restringe ao ex-banqueiro. Outros três familiares de Vorcaro permanecem presos no contexto das investigações sobre o Banco Master: o pai, Henrique Vorcaro; o primo, Felipe Vorcaro; e o cunhado, Fabiano Zettel. Os três negam qualquer irregularidade.

As investigações da Compliance Zero continuam avançando sobre o colapso do Banco Master, incluindo possíveis conexões de Vorcaro com autoridades públicas e parlamentares e a localização de patrimônio que possa estar fora do Brasil. A liquidação extrajudicial do banco foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio às apurações sobre a emissão de títulos sem lastro e ativos supervalorizados.

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