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Em crise de liquidez após caso Master, BRB vende R$ 5 bilhões em ativos para conter saques

Em crise de liquidez após caso Master, BRB vende R$ 5 bilhões em ativos para conter saques

Banco do DF acelera desinvestimentos e discute capitalização para enfrentar perda de confiança e possível rombo no balanço

Por: Redação

07/02/2026 às 10:57

Imagem de Em crise de liquidez após caso Master, BRB vende R$ 5 bilhões em ativos para conter saques

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) realizou a venda de cerca de R$ 5 bilhões em ativos de alta liquidez como medida emergencial para conter a fuga de capitais e reforçar o caixa, em meio à crise desencadeada pela liquidação do Banco Master e pela Operação Compliance Zero. A iniciativa buscou responder a saques elevados e à deterioração da confiança de clientes e investidores.

Segundo apuração, os ativos vendidos incluem carteiras de crédito consignado e antecipação de saque do FGTS — instrumentos considerados de baixo risco e rápida conversão em caixa. Paralelamente, o banco negocia a venda de aproximadamente R$ 1 bilhão em créditos a Estados e municípios, com garantias do Tesouro, para instituições privadas, operação que pode render cerca de R$ 730 milhões em valor presente, aguardando trâmites de transferência.

A crise ganhou força após a liquidação do Master e o afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por suspeitas de irregularidades. Pessoas próximas à instituição reconhecem o abalo reputacional, embora sustentem que o banco mantém carteira sólida. Ainda assim, a atual gestão admite a necessidade de reduzir o tamanho do BRB e diminuir a dependência de aportes do controlador, o Governo do Distrito Federal.

Relatos à Polícia Federal indicam que a operação pode ter gerado impacto relevante no balanço. Em depoimento, o diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil mencionou a possibilidade de um rombo de até R$ 5 bilhões. O BRB deve apresentar ao regulador alternativas de capitalização, que incluem aportes do Tesouro do DF, a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local e eventual empréstimo junto ao FGC — medidas que dependem de aval da Câmara Legislativa.

No centro do problema estão ativos herdados do Master. O BRB adquiriu inicialmente R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes, posteriormente substituídos por cerca de R$ 10 bilhões em outros ativos e R$ 10 bilhões adicionais em garantias. Auditoria externa ainda avalia a qualidade desses papéis, ampliando a cautela do mercado.

A nova direção pretende reposicionar o BRB como banco regional, abandonando a estratégia de expansão nacional que previa fusão com o Master — operação vetada pelo Banco Central.

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