Haddad descarta alta da Selic e minimiza atritos com ex-presidente do BC
Ministro da Fazenda aposta em manutenção dos juros em patamar elevado, apesar da inflação ainda acima da meta
Por: Redação
28/06/2025 às 00:40

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (27.jun.2025) que não vê “espaço” para novas elevações na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior patamar desde 2017. Em entrevista à GloboNews, Haddad indicou que a inflação em desaceleração e o nível já elevado dos juros justificam a manutenção da política monetária, sem aumentos adicionais.
“A inflação está caindo e o patamar da Selic vai ficar dessa altura quanto tempo?”, questionou o ministro, que ponderou, contudo, que a taxa permanecerá elevada para evitar pressões inflacionárias no curto prazo. O indicador está acima do teto da meta fixada pelo governo, que é 4,5%, com o índice oficial acumulando alta de 5,32% em 12 meses até maio.
O Banco Central, responsável pela definição da Selic, já sinalizou que deve manter os juros nesse patamar na próxima reunião de julho, priorizando o combate à inflação por meio do controle da demanda — medida que encarece o crédito e desestimula gastos, como o parcelamento de veículos e bens duráveis.
Haddad também abordou o histórico recente da política monetária e a atuação de seu ex-colega no Banco Central, Roberto Campos Neto, a quem atribuiu a decisão de elevar os juros em sequência desde o início do ano. Apesar das críticas públicas feitas anteriormente, o ministro minimizou os atritos, afirmando que as divergências foram pontuais.
“Foram poucos momentos em que pontuei questões com o Campos Neto. Quando assumimos, os juros estavam em 13% e alguma coisa. Aí quando a inflação bateu 3%, eu falei: ‘Roberto, não dá, porra’”, relatou Haddad, demonstrando uma postura descontraída, mas deixando claro o desgaste com as medidas tomadas no início do mandato.
Analistas veem, no entanto, que a manutenção dos juros em níveis tão elevados prolonga o custo para o crescimento econômico e o endividamento de famílias e empresas, enquanto o governo ainda enfrenta dificuldades para controlar a inflação estrutural.
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