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‘Momento de calibragem’, diz Galípolo sobre a política de juros do Banco Central
‘Momento de calibragem’, diz Galípolo sobre a política de juros do Banco Central
Presidente do Banco Central mantém Selic elevada e reconhece que inflação segue acima da meta em meio à fragilidade fiscal
Por: Redação
09/02/2026 às 17:46

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que a política monetária atravessa um “momento de calibragem” e defendeu cautela na condução dos juros, apesar da desaceleração recente da atividade econômica. A declaração foi feita durante evento em São Paulo, em um cenário ainda marcado por inflação acima da meta e incertezas fiscais.
Segundo Galípolo, o ciclo recente de juros elevados — que levou a taxa Selic a 15% ao ano, o maior patamar desde 2006 — teve como objetivo conter a inflação, mas agora exige ajustes mais finos para acompanhar a evolução das expectativas do mercado. O dirigente alertou que ainda não há espaço para comemorações ou cortes precipitados.
“Eu acho que agora a gente chega a um momento em que a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra calibragem”, afirmou. “Acho que essa é a palavra essencial: calibragem.”
O presidente do BC ressaltou que não é hora de “fazer a volta da vitória”, uma vez que a inflação segue acima do centro da meta oficial de 3% ao ano. De acordo com ele, persiste uma resistência do mercado em reduzir projeções inflacionárias de longo prazo, o que dificulta o trabalho de ancoragem das expectativas — um dos pilares da política monetária.
Dados do Boletim Focus indicam que o IPCA projetado para 2028 e 2029 permanece em 3,5%, acima da meta, com uma “desancoragem de meio ponto percentual” que, segundo Galípolo, “incomoda bastante” a autoridade monetária. Para 2026, as estimativas apontam inflação próxima de 4%, após o índice ter fechado 2025 em 4,26%.
Apesar de a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizar a possibilidade de cortes de juros a partir de março, analistas avaliam que o espaço para flexibilização segue limitado pelo cenário fiscal. A falta de clareza sobre controle de gastos e a insistência do governo Lula em agendas de expansão do Estado continuam sendo apontadas como fatores de pressão sobre expectativas e preços.
Ao comentar a crise envolvendo o Banco Master, Galípolo voltou a mencionar o apoio institucional recebido, incluindo manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério da Fazenda. Ele afirmou que o banco apresentava problemas de liquidez desde 2024 e que o BC já cobrava ajustes no balanço desde o primeiro semestre daquele ano.
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