A chamada “taxa das blusinhas”, que impõe alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, não produziu efeitos relevantes na geração de empregos no Brasil e contribuiu para o aumento de preços no varejo, segundo estudo da consultoria Global Intelligence and Analytics.
De acordo com o levantamento, não houve diferença significativa nos níveis de emprego ou salários entre os setores que passaram a contar com proteção tarifária e os demais segmentos do comércio. A medida entrou em vigor em agosto de 2024.
Os dados indicam que a política afetou principalmente consumidores das classes C, D e E, que representam cerca de 68% dos usuários dessas plataformas. Com a nova tributação, a demanda por produtos importados de baixo valor caiu 56% em relação ao cenário projetado sem a cobrança.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta aumento de preços no varejo nacional. Em um período de 12 meses, itens como cosméticos subiram 17%, bijuterias 16% e produtos de papelaria 13%. Roupas e calçados também registraram alta, pressionando o custo de vida.
Apesar da proteção ao mercado interno, a remuneração média no varejo permaneceu em cerca de R$ 2,6 mil mensais, abaixo da média nacional. O levantamento sugere que o setor ampliou margens de lucro, sem repassar ganhos para salários ou geração de vagas.
Na arrecadação, o crescimento também foi considerado limitado. Embora o volume de importações registradas tenha aumentado significativamente com programas de controle, a receita federal não acompanhou o mesmo ritmo.
Diante dos resultados, o governo avalia possíveis mudanças na política, enquanto projetos no Congresso discutem a retomada da isenção para remessas de baixo valor.