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Tesouro projeta dívida pública de até R$ 10,3 trilhões em 2026

Tesouro projeta dívida pública de até R$ 10,3 trilhões em 2026

Plano de financiamento prevê maior dependência de títulos atrelados à Selic diante do avanço dos gastos públicos

Por: Redação

29/01/2026 às 16:05

Imagem de Tesouro projeta dívida pública de até R$ 10,3 trilhões em 2026

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Tesouro Nacional estima que a Dívida Pública Federal poderá encerrar 2026 em um patamar entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) durante a apresentação do Plano Anual de Financiamento (PAF). Em 2025, o endividamento do governo federal já havia ultrapassado o recorde histórico de R$ 8,6 trilhões, refletindo a trajetória de expansão das despesas públicas.

A projeção evidencia o desafio fiscal enfrentado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fecha mais um ano sob forte pressão orçamentária, em meio a déficits recorrentes e à dificuldade de conter o crescimento da dívida.

Para lidar com o cenário, o Tesouro pretende alongar os prazos de vencimento da dívida e aumentar a participação de títulos indexados à taxa Selic, que hoje representam 48,3% do estoque total e podem chegar a 50% ao longo do ano. A estratégia busca atrair investidores em um ambiente de juros elevados, mas expõe as contas públicas a aumentos imediatos no custo da dívida sempre que a taxa básica é reajustada pelo Banco Central do Brasil.

O plano também estabelece que os títulos corrigidos pela inflação devem representar entre 23% e 27% da carteira, enquanto os papéis atrelados ao câmbio devem variar entre 3% e 7%. O prazo médio da dívida foi fixado entre 3,8 e 4,2 anos.

Para enfrentar eventuais choques, o governo mantém um colchão de liquidez de R$ 1,187 trilhão, suficiente para cobrir pouco mais de sete meses dos vencimentos da dívida interna. Ainda assim, especialistas alertam que a crescente dependência de títulos pós-fixados amplia a sensibilidade das contas públicas às decisões de política monetária.

Embora o Tesouro reconheça que títulos prefixados oferecem maior previsibilidade, o próprio órgão admite que, em períodos de instabilidade econômica, esses papéis costumam exigir taxas mais elevadas, o que encarece o custo total do endividamento.

A projeção de uma dívida acima de R$ 10 trilhões reforça o debate sobre a sustentabilidade fiscal do país e a necessidade de medidas estruturais para conter o avanço dos gastos, sob risco de deterioração da confiança e aumento do custo de financiamento do Estado.

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