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"Na Bahia não nasceu nenhum trambique", disse Jaques Wagner um mês antes de operação da PF

"Na Bahia não nasceu nenhum trambique", disse Jaques Wagner um mês antes de operação da PF

Líder do governo no Senado atribuiu caso Banco Master ao governo Bolsonaro semanas antes de se tornar alvo da Operação Compliance Zero

Por: Redação

18/06/2026 às 17:03

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O senador Jaques Wagner afirmou, cerca de um mês antes de ser alvo da Polícia Federal no caso Banco Master, que "na Bahia não nasceu nenhum trambique". A declaração foi feita durante discurso no plenário do Senado, quando o parlamentar comentou as investigações envolvendo a instituição financeira.

Na ocasião, Wagner também atribuiu a origem do escândalo ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e criticou a atuação do Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto.

“Eu não sou mais honesto que ninguém, mas tenho meu código de ética. Não tenho sequer CNPJ. Na Bahia não nasceu nenhum trambique”, afirmou o senador durante o pronunciamento.

 

Wagner relacionou caso ao governo anterior

O discurso ocorreu após a divulgação de um suposto áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na época, Wagner afirmou ter sido surpreendido pelo conteúdo e disse enxergar uma relação de proximidade entre os envolvidos.

Durante a fala, o líder do governo sustentou que os fatos investigados tiveram origem durante a administração anterior.

“O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a presidência do senhor Roberto Campos Neto. A gênese está no governo de Jair Messias Bolsonaro, não na Bahia”, declarou.

O senador também afirmou que a participação do governo baiano no caso se limitou à privatização da rede Cesta do Povo, medida que classificou como uma decisão administrativa para reduzir prejuízos ao Estado.

 

Operação investiga supostas vantagens ligadas ao Banco Master

Nesta quinta-feira (18), Jaques Wagner tornou-se alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação também alcançou o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

Segundo a PF, há indícios de que o senador possa ter recebido vantagens para atuar em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Entre os elementos citados pelos investigadores estão um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, viagens em aeronaves ligadas ao grupo e pagamentos realizados por meio de empresa vinculada a familiares do parlamentar.

A Polícia Federal também apura repasses de aproximadamente R$ 11 milhões feitos pelo Banco Master a uma empresa ligada à nora de Jaques Wagner, além da possível atuação do senador em pautas consideradas estratégicas para a instituição financeira.

Até a publicação da reportagem original, a assessoria do senador não havia se manifestado sobre a operação.

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