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Banco Digimais reproduziu práticas investigadas no caso Master, aponta PF

Banco Digimais reproduziu práticas investigadas no caso Master, aponta PF

Operação aponta supostas manipulações contábeis, captação agressiva de recursos e bloqueio de mais de R$ 670 milhões em bens

Por: Redação

24/06/2026 às 09:06

Imagem de Banco Digimais reproduziu práticas investigadas no caso Master, aponta PF

Foto: Reprodução

A Polícia Federal afirmou que o Banco Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, adotou práticas semelhantes às investigadas no caso do Banco Master. A conclusão consta na representação que embasou a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23).

A ação teve como alvo executivos, empresas e fundos ligados ao grupo financeiro. Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados e determinou o bloqueio de mais de R$ 670 milhões em bens.

 

PF aponta manipulação de informações financeiras

Segundo a investigação, os envolvidos teriam alterado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a realidade da instituição.

De acordo com a Polícia Federal, o objetivo seria ocultar problemas patrimoniais, dificultar a fiscalização dos órgãos de controle e permitir operações consideradas irregulares.

 

Investigação compara modelo ao do Banco Master

No documento encaminhado à Justiça, a PF sustenta que o Digimais teria replicado práticas atribuídas ao Banco Master, instituição que se tornou alvo de uma das maiores investigações financeiras em andamento no país.

Os investigadores afirmam que o banco teria adotado uma estratégia baseada na captação agressiva de recursos por meio da oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades acima da média do mercado.

Segundo a corporação, parte desse modelo estaria apoiada na proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado para proteger investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

 

Relação com ativos ligados ao Master

A Polícia Federal também aponta que o Digimais manteve aproximadamente R$ 600 milhões aplicados em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Banco Master.

Para os investigadores, a manutenção desses ativos, somada à política de captação com remunerações elevadas, pode indicar indícios de gestão temerária ou fraudulenta.

Outro ponto citado é a tentativa de aquisição do Digimais, em 2025, por uma holding ligada a Maurício Antonio Quadrado, ex-sócio e ex-executivo do Banco Master. A operação acabou barrada pelo Banco Central.


Alvos e medidas judiciais

Entre os alvos das buscas estão executivos, administradores e empresas ligadas ao grupo financeiro, além do próprio Banco Digimais e de instituições relacionadas.

O bispo Edir Macedo não foi alvo dos mandados de busca por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens autorizados pela Justiça.

Os investigados poderão responder por crimes ligados ao Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, prestação de informações falsas a órgãos reguladores e realização de operações vedadas pela legislação.

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