A psicóloga Sirlene Souza Zanotti, de 54 anos, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, obteve nesta quarta-feira (26) o direito de cumprir a pena em prisão domiciliar na Argentina. Ela estava detida havia oito meses na Colônia Penal de Ezeiza.
A decisão da Justiça argentina ocorreu após Sirlene encaminhar uma carta na qual pediu “misericórdia” e autorização para realizar exames médicos fora da unidade prisional. No documento, ela relatou ter enfrentado problemas de saúde durante o período de detenção.
Segundo a brasileira, em fevereiro ela sofreu um quadro de desidratação severa, chegou a desmaiar na lavanderia do presídio e afirma não ter recebido atendimento médico naquele momento. Também relatou episódios de confusão mental, perda de coordenação motora, dores e crises digestivas.
Sirlene deverá deixar o presídio até segunda-feira (31), de acordo com o advogado Hélio Junior, que a representa no Brasil. A saída ainda depende de procedimentos burocráticos.
Última brasileira presa na Argentina
Com a decisão, Sirlene deixa de ser a última brasileira condenada pelos atos de 8 de janeiro que permanecia em uma unidade prisional argentina. Outros quatro envolvidos cumprem prisão domiciliar no país, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
São eles Joelton Gusmão de Oliveira, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, Wellington Luiz Firmino e Ana Paula de Souza.
Outro brasileiro, o caminhoneiro Joel Borges Correa, também cumpria prisão domiciliar, mas retirou a tornozeleira após conseguir refúgio definitivo na Argentina. Ele é o único do grupo que obteve asilo político oficial no país.
Prisão ocorreu após entrada legal na Argentina
Sirlene é psicóloga pós-graduada, mãe de dois filhos e avó de quatro netos. Segundo familiares e pessoas próximas, antes de deixar o Brasil ela vivia em Andradina, no interior de São Paulo, e participava de projetos sociais e atividades comunitárias.
Ela passou sete meses presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e posteriormente permaneceu nove meses sob monitoramento eletrônico até a condenação.
A brasileira entrou legalmente na Argentina, obteve o Documento Nacional de Identidade (DNI) do país e apresentou pedido de asilo. Em dezembro de 2025, porém, foi presa em Posadas, na província de Misiones, quando seguia para o Paraguai. Segundo informações divulgadas à época, a detenção ocorreu após a identificação de sua condenação no Brasil.
A mudança para o regime domiciliar não altera, segundo as informações da reportagem, a condenação estabelecida pela Justiça brasileira.