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Centrão vê operação contra Jaques Wagner como mudança de cenário no caso Master
Centrão vê operação contra Jaques Wagner como mudança de cenário no caso Master
Parlamentares avaliam que investigação contra líder do governo reduz desgaste concentrado até então em nomes da oposição
Por: Redação
19/06/2026 às 08:10

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, foi recebida por integrantes do Centrão como um fator capaz de alterar o cenário político criado pelas investigações sobre o Banco Master.
Na avaliação de parlamentares ouvidos nos bastidores, a inclusão de um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os investigados reduz o desgaste que, até então, atingia principalmente lideranças da centro-direita ligadas ao caso.
A nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira (18) e cumpriu mandados de busca e apreensão contra Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e apontado como peça importante na expansão do CredCesta, produto posteriormente incorporado à estrutura do Banco Master.
Oposição vê mudança no debate político
Até a nova etapa da investigação, os principais impactos políticos do caso atingiam figuras como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado em apurações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.
Nos últimos meses, integrantes do governo vinham explorando politicamente os desdobramentos do caso Master para criticar adversários. Com a inclusão de Jaques Wagner na investigação, parlamentares de centro e direita avaliam que o Planalto passa a enfrentar questionamentos sobre um caso que antes utilizava para desgastar opositores.
Relação entre PT da Bahia e CredCesta deve ser explorada
Nos bastidores, lideranças da oposição indicam que pretendem concentrar críticas na relação histórica entre governos petistas da Bahia e o CredCesta, modalidade de crédito consignado associada ao grupo empresarial de Augusto Lima e posteriormente vinculada ao Banco Master.
Jaques Wagner disputará a reeleição ao Senado neste ano, e adversários já avaliam utilizar os desdobramentos da operação durante a campanha eleitoral na Bahia.
Parlamentares também passaram a resgatar declarações feitas anteriormente pelo senador sobre o caso Master, quando criticava adversários políticos por manterem relações com a instituição financeira.
Governo adota cautela
Apesar da repercussão da operação, integrantes do Centrão afirmam aguardar os próximos movimentos do Palácio do Planalto antes de avaliar os impactos definitivos do caso.
Até o momento, o governo federal não divulgou manifestação oficial sobre a operação. Jaques Wagner, por sua vez, afirmou que recebeu solidariedade do presidente Lula e descartou deixar a liderança do governo no Senado.
PF investiga suposta atuação em favor do Banco Master
A investigação apura se Jaques Wagner teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador tenha mantido interlocução frequente com Augusto Lima sobre temas considerados estratégicos para a instituição financeira. Em contrapartida, os investigadores apuram o possível recebimento de vantagens indevidas, incluindo um apartamento em Salvador, repasses financeiros e outros benefícios.
O senador nega irregularidades e afirma que sempre manteve relações institucionais com os envolvidos citados na investigação.
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