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Comissão do Congresso avança na análise da “MP das Blusinhas” após sucessivos adiamentos
Comissão do Congresso avança na análise da “MP das Blusinhas” após sucessivos adiamentos
Relatório mantém imposto de importação zerado para compras de até US$ 50 e prevê novas regras de fiscalização sobre plataformas digitais
Por: Redação
02/09/2026 às 15:48

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Após sucessivos adiamentos por falta de acordo, a comissão mista do Congresso iniciou nesta quarta-feira (2) a análise do relatório da MP nº 1.357/2026, conhecida como “MP das Blusinhas”. A proposta mantém a possibilidade de zerar o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50.
O texto apresentado pela relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), preserva a estrutura central da medida editada pelo governo Lula. Das 112 emendas apresentadas pelos parlamentares, apenas nove foram acolhidas.
Entre os principais pontos do relatório está a possibilidade de o ministro da Fazenda reduzir a zero a alíquota do Imposto de Importação para compras de até US$ 50. Para remessas de até US$ 3 mil, a alíquota poderá ser reduzida para até 30%.
A medida, porém, não elimina a cobrança de ICMS, imposto estadual que permanece aplicado às compras internacionais, com alíquotas entre 17% e 20%, dependendo do Estado.
Relatora defende tratamento tributário para famílias de menor renda
Ao justificar a manutenção da alíquota zero, Leila Barros classificou a medida como um “instrumento de justiça tributária em favor das famílias de menor renda”.
A senadora comparou a regra das compras internacionais à isenção concedida a brasileiros que viajam ao exterior e podem trazer bagagens de até US$ 1 mil sem determinados tributos federais.
Segundo a relatora, a compra de produtos de baixo valor pela internet seria uma alternativa de consumo para famílias que não têm acesso a viagens internacionais.
Plataformas terão novas obrigações
O relatório também amplia as exigências para as plataformas digitais que participam do programa de conformidade. As empresas deverão adotar mecanismos para combater subfaturamento, fracionamento de remessas, fraudes e comercialização de produtos ilegais.
Em casos considerados graves ou de reincidência, as plataformas poderão sofrer penalidades que chegam à proibição de operar no mercado brasileiro.
A proposta também prevê acompanhamento dos efeitos da medida sobre emprego, indústria, comércio varejista e arrecadação por parte do Ministério da Fazenda e do Congresso.
Emendas para indústria e varejo foram rejeitadas
Durante as negociações, a relatora rejeitou propostas que criavam benefícios tributários específicos para a indústria e o varejo nacionais como forma de compensação.
De acordo com o parecer, essas medidas poderiam aumentar a renúncia fiscal sem que houvesse demonstração suficiente de seus impactos sobre a geração de empregos e a competitividade das empresas brasileiras.
A discussão ocorre em meio à pressão de setores da indústria e do comércio, que defendem uma tributação capaz de evitar uma desvantagem competitiva diante dos produtos importados. Do outro lado, empresas de comércio eletrônico e consumidores argumentam que a cobrança de impostos encarece produtos de menor valor.
Medida precisa ser votada antes de 8 de setembro
Após a análise e eventual aprovação pela comissão mista, a MP ainda precisará ser votada pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
O prazo é curto: a medida perde a validade em 8 de setembro, caso não seja aprovada pelo Congresso dentro do período previsto.
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