COP30 começa sob tensão política e falta de metas climáticas
Conferência da ONU em Belém tem ausências estratégicas, críticas a Lula e apenas 109 compromissos entregues — número considerado baixo para os 10 anos do Acordo de Paris
Por: Redação
10/11/2025 às 07:43

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A COP30, conferência global do clima da ONU, começou nesta segunda-feira (10) em Belém (PA) cercada por tensões geopolíticas, críticas à organização e baixa adesão internacional. Dos 194 países signatários do Acordo de Paris, apenas 109 apresentaram suas metas climáticas atualizadas (NDCs) — pouco mais da metade.
O evento marca os 10 anos do Acordo de Paris e deveria simbolizar um avanço nas metas ambientais. No entanto, o baixo engajamento global e as ausências de líderes de grandes potências expuseram o enfraquecimento do multilateralismo que o governo Lula tenta liderar.
Entre as ausências mais notadas estão Estados Unidos, China, Índia e Rússia — os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo. O presidente norte-americano Donald Trump, reeleito neste ano, optou por não enviar delegação ao Brasil, criticando a “ineficácia” das cúpulas ambientais e classificando-as como “custosas e improdutivas”.
Críticas e contradições
A véspera da conferência foi marcada por críticas à gestão petista, que autorizou a exploração de petróleo na Foz do Amazonas — decisão vista como contraditória ao discurso de “transição verde”. Ambientalistas e parte da imprensa internacional destacaram a incoerência do governo em sediar a COP ao mesmo tempo em que amplia a produção de combustíveis fósseis.
“O Brasil precisa escolher se quer ser potência ambiental ou exportador de petróleo”, afirmou um representante europeu ouvido pela Deutsche Welle.
O texto oficial da presidência da COP alertou que a Amazônia se aproxima de um ponto de colapso, pedindo “freios de emergência globais” — um tom alarmista que contrasta com as políticas recentes do Planalto.
Infraestrutura precária e custos elevados
A realização do evento em Belém também enfrenta problemas logísticos e financeiros. O governo teve de recorrer à ONU e a bancos internacionais para bancar hospedagem e transporte de delegações, após a alta nos preços de hotéis. Cerca de 66 delegações estrangeiras estão hospedadas em cruzeiros atracados no porto de Outeiro, montado às pressas para o evento.
Mesmo com o investimento, a participação ficou abaixo das expectativas, e representantes de países em desenvolvimento reclamam de falta de estrutura e planejamento.
A COP30 tenta avançar em sete eixos principais — como eliminação dos combustíveis fósseis, proteção da natureza e financiamento climático —, mas as divisões políticas e econômicas dificultam acordos concretos.
A conferência aprovou até agora três iniciativas de impacto limitado:
- Compromisso Belém 4X sobre Combustíveis Sustentáveis (19 países);
- Coalizão Aberta de Mercados de Carbono Regulatórios (11 países, incluindo China e União Europeia);
- Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática (44 países).
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu o impasse e afirmou que “muitos líderes permanecem reféns dos interesses dos grandes poluidores”.
Brasil tenta salvar protagonismo
O governo Lula tenta usar o ciclo G20–BRICS–COP30 para reafirmar o papel do país como voz do Sul Global, mas analistas apontam que o esforço pode ter efeito limitado diante da crise de credibilidade da diplomacia brasileira.
Sem apoio das maiores economias, o Brasil deve sair da conferência com compromissos simbólicos, enquanto cresce a percepção de que a COP30 poderá repetir o fracasso da COP27 e COP28, que também terminaram sem metas vinculantes.
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