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Daniel Vorcaro depõe à PF na quinta-feira sobre operações entre Banco Master e BRB
Daniel Vorcaro depõe à PF na quinta-feira sobre operações entre Banco Master e BRB
Por: Redação
12/10/2026 às 12:15

Foto: Divulgação
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestará um novo depoimento à Polícia Federal na próxima quinta-feira (15). A oitiva ocorrerá por videoconferência e terá como foco as operações realizadas entre a instituição financeira e o Banco de Brasília (BRB).
A investigação apura suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito consignado avaliadas em aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Segundo a Polícia Federal, parte dos ativos transferidos pelo Master ao BRB seria formada por títulos sem lastro, com inconsistências documentais ou informações falsas.
Vorcaro deverá ser questionado sobre a origem das carteiras, as negociações mantidas com executivos do BRB e a tentativa de compra do Banco Master pela instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal.
A Polícia Federal também investiga indícios de pagamento de vantagens indevidas ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
De acordo com os investigadores, Costa teria recebido benefícios avaliados em R$ 146,5 milhões por meio da negociação de seis imóveis de luxo, sendo quatro localizados em São Paulo e dois em Brasília. Em contrapartida, ele teria facilitado a compra das carteiras de crédito do Master pelo banco estatal.
As movimentações imobiliárias são analisadas como possível mecanismo de lavagem de dinheiro e ocultação de propina. A defesa dos envolvidos nega a prática de crimes.
Paulo Henrique Costa foi afastado do comando do BRB durante as investigações. A PF também apura a atuação de outros diretores e servidores que teriam participado da aprovação das operações.
Segundo as investigações, o BRB transferiu recursos ao grupo Master entre 2024 e 2025. Desse montante, aproximadamente R$ 12,2 bilhões foram destinados à aquisição de carteiras que apresentariam problemas de origem e documentação.
A apuração aponta que parte dos créditos teria sido originada por empresas intermediárias e posteriormente repassada ao Master antes de ser vendida ao BRB. Os investigadores suspeitam que algumas das operações não possuíam os documentos necessários para comprovar a existência dos empréstimos.
A Polícia Federal também analisa se as transferências tiveram como objetivo fornecer liquidez ao Banco Master e impedir que a instituição enfrentasse uma crise antes da conclusão da tentativa de venda ao BRB.
Em depoimentos anteriores, Daniel Vorcaro negou ter vendido ativos fraudulentos ao Banco de Brasília. O ex-banqueiro afirmou que não tinha conhecimento sobre quais créditos seriam considerados regulares ou problemáticos e declarou que os contratos permitiam a substituição ou recompra de carteiras que apresentassem dificuldades.
A defesa sustenta que as Cédulas de Crédito Bancário existiam e que o Master atuou de boa-fé. Também argumenta que grande parte dos valores questionados foi liquidada ou substituída e que os negócios possuíam garantias destinadas a proteger as duas instituições.
Vorcaro deverá voltar a explicar essas operações durante o depoimento de quinta-feira. Os investigadores também poderão confrontá-lo com documentos, mensagens e dados financeiros obtidos durante a Operação Compliance Zero.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Desde então, as investigações foram ampliadas para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A PF busca identificar os responsáveis pela criação, aprovação e comercialização das carteiras, além de calcular o eventual prejuízo deixado ao BRB.
O depoimento de Vorcaro é considerado uma etapa importante para esclarecer como as operações foram estruturadas e qual foi a participação dos executivos das duas instituições nas negociações.
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