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Empresário que doou à campanha de Onyx recebeu R$ 17,9 milhões de entidade investigada por fraudes no INSS

Empresário que doou à campanha de Onyx recebeu R$ 17,9 milhões de entidade investigada por fraudes no INSS

Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil, firmou acordo com o INSS e lucrou milhões com descontos em aposentadorias; PF apura envolvimento em suposto esquema

Por: Redação

15/07/2025 às 08:39

O ex-ministro da Previdência Social Onyx Lorenzoni (PP-RS)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal apura a ligação entre o empresário Felipe Macedo Gomes, doador da campanha de Onyx Lorenzoni (PP-RS), e a Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), entidade que firmou um acordo com o INSS para aplicar descontos em aposentadorias e que é apontada como uma das principais beneficiárias da chamada “farra do INSS”.

Gomes doou R$ 60 mil à campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. Pouco antes, a entidade presidida por ele havia pedido formalmente ao Ministério da Previdência autorização para descontar mensalidades diretamente dos benefícios de aposentados — o que se concretizou meses depois, já com Onyx fora da pasta e em campanha eleitoral.

Segundo documentos da PF, a empresa de consultoria EMJC Serviços, aberta por Gomes com capital de apenas R$ 20 mil, recebeu R$ 17,9 milhões da ABCB. No total, dirigentes ligados à Amar Brasil movimentaram R$ 79 milhões. A entidade passou a descontar até 2,2% dos benefícios dos aposentados após o acordo com o INSS.

 

Lucros bilionários e endereço fantasma
Relatório da Controladoria-Geral da União mostra que a ABCB arrecadou R$ 143 milhões entre 2022 e 2024 — número que subiu vertiginosamente após o início dos descontos. A sede informada pela entidade em Minas Gerais, porém, não corresponde à realidade: uma vistoria encontrou no local uma loja de materiais elétricos.

A investigação também identificou que Gomes é proprietário de bens de alto valor, como jet skis e um Porsche. Ele é apontado como próximo a nomes ligados ao escândalo, como Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador afastado do INSS que teria recebido R$ 11,9 milhões, e André Fidelis, ex-diretor do órgão, já demitido.

 

Onyx nega e denuncia perseguição
Procurado, o ex-ministro Onyx Lorenzoni negou qualquer relação com Felipe Gomes ou conhecimento prévio sobre a atuação da ABCB no INSS. Ele alegou que os acordos com associações de aposentados seguem normas estabelecidas desde 1991 e que, como ministro, não participava da habilitação dessas entidades.

Onyx também acusou a Polícia Federal de atuação política, classificando o inquérito como “tendencioso” e lembrando que não é réu em nenhum processo relacionado ao caso.

A citação aos nomes de Onyx e do deputado Fausto Pinato (PP-SP) levou o ministro do STF Dias Toffoli a solicitar o compartilhamento de provas de todos os inquéritos abertos sobre as fraudes no INSS, ampliando o alcance da investigação.

A defesa do ex-ministro vê a medida com desconfiança, considerando o histórico recente de interferências da cúpula do Judiciário em processos de motivação política. O Planalto, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre os desdobramentos.

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