Estadão, Folha e Gazeta do Povo defendem saída de Moraes do STF
O Globo também cobra esclarecimentos do ministro após mensagens de Daniel Vorcaro e informações sobre contrato de R$ 131 milhões com escritório de sua mulher
Por: Redação
02/09/2026 às 08:01

Foto: Rosinei Coutinho/STF
A atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a receber críticas de diferentes veículos de imprensa após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e de informações sobre a participação do magistrado na revisão de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
Em editoriais publicados nesta terça-feira (1º), O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo defenderam que Moraes deixe o STF. O Globo adotou uma posição menos direta, mas cobrou explicações do ministro sobre sua relação com Vorcaro e os episódios citados nas investigações.
Estadão defende saída do ministro
No editorial intitulado Moraes tem de sair do Supremo, o Estadão avaliou que o ministro “não tem mais condições de seguir” no STF.
O jornal destacou mensagens nas quais Vorcaro teria buscado ajuda para interferir no andamento de investigações, inclusive em contatos relacionados ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O editorial defende que uma investigação esclareça se Moraes procurou as autoridades, tentou retardar diligências ou teve acesso e repassou informações sigilosas. Para o jornal, porém, independentemente do resultado dessa apuração, os fatos já levantariam uma questão de responsabilidade institucional que justificaria a saída do ministro.
Caso Moraes permaneça no cargo, o Estadão aponta o Senado como responsável por avaliar sua permanência.
Gazeta do Povo pede impeachment
A Gazeta do Povo adotou uma posição ainda mais contundente e defendeu a abertura imediata de um processo de impeachment contra Moraes.
O editorial cita o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, além das informações sobre a participação do ministro na análise da minuta contratual.
O jornal também menciona mensagens em que Vorcaro questiona a possibilidade de “segurar” medidas relacionadas às investigações. Em uma das conversas, dois dias antes de ser preso, o banqueiro teria perguntado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Para a Gazeta, o conteúdo das mensagens aponta para uma relação que seria incompatível com as atribuições de um ministro do Supremo.
Folha defende renúncia
A Folha de S.Paulo também se posicionou pela saída de Moraes. No editorial A Moraes cabe a renúncia, o jornal afirmou que não haveria “mais lugar” para o ministro no STF e classificou a renúncia como a solução “mais digna e rápida”.
O texto cita tanto a participação atribuída a Moraes na edição do contrato de R$ 131 milhões quanto as mensagens de Vorcaro próximas à prisão do banqueiro.
Caso o ministro não renuncie, a Folha defende que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dê andamento aos pedidos de impeachment apresentados contra Moraes.
O Globo cobra explicações
O Globo não defendeu diretamente a saída de Moraes, mas afirmou que o ministro “continua a dever explicações convincentes” sobre sua relação com Vorcaro.
O editorial avalia que as mensagens divulgadas indicam uma proximidade que pode ser incompatível com a imparcialidade esperada de um magistrado. Ao mesmo tempo, ressalta que as informações não permitem considerar alguém culpado antecipadamente.
O jornal também cobrou esclarecimentos de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues sobre as referências aos nomes “Paulo” e “Andrei” nas mensagens atribuídas a Vorcaro e sobre eventual tentativa de interferência nas investigações.
Em relação a Moraes, O Globo defendeu que as respostas sejam mais detalhadas do que o silêncio ou eventuais “notas lacônicas” apresentados até agora.
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