Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o Exército brasileiro repassou cerca de R$ 39 milhões ao Banco Master em pouco mais de um ano, por meio de operações de crédito consignado destinadas a militares da ativa e da reserva.
Os valores têm origem em descontos realizados diretamente nos contracheques dos militares que contrataram empréstimos com a instituição financeira. O Exército atuou como intermediador das operações, efetuando os abatimentos autorizados e transferindo os recursos ao banco.
O relatório de inteligência financeira do Coaf aponta possíveis irregularidades nas movimentações, como a concentração dos valores em uma única titularidade e operações com débito imediato, o que pode dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
O credenciamento do Banco Master foi realizado em 2023 por meio de edital público e teve a vigência prorrogada até 2027. No entanto, o contrato foi rescindido após a liquidação extrajudicial da instituição financeira, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Em nota, o Exército afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, destacando que os valores são de natureza privada, provenientes dos próprios militares. A Força também informou que o banco atendeu aos requisitos legais no momento do credenciamento.
A Aeronáutica também manteve contrato semelhante com o Banco Master para operações consignadas entre 2024 e 2025, embora os valores das transações não tenham sido detalhados.