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Facções ampliam atuação e impulsionam apreensões de fuzis no Norte e Nordeste

Facções ampliam atuação e impulsionam apreensões de fuzis no Norte e Nordeste

Estudo aponta avanço do crime organizado fora do eixo Rio-São Paulo; Bahia registra o maior crescimento nas apreensões de armas de grosso calibre.

Por: Redação

11/08/2026 às 17:23

Imagem de Facções ampliam atuação e impulsionam apreensões de fuzis no Norte e Nordeste

Foto: Divulgação

A expansão de facções criminosas para estados das regiões Norte e Nordeste provocou um aumento expressivo nas apreensões de fuzis e outras armas de grosso calibre no país. Os dados constam no estudo "A nova cadeia de suprimentos do crime", elaborado pelo Instituto Sou da Paz.

Segundo o levantamento, a Bahia liderou o crescimento percentual nas apreensões de fuzis entre 2021 e 2025, com alta de 392,9%. Na sequência aparecem o Pará, com aumento de 360%, e o Ceará, com 263,6%, indicando a expansão da atuação de organizações criminosas nessas regiões.

Em âmbito nacional, o número de fuzis apreendidos passou de 807 armas, em 2021, para 2,1 mil, em 2025, um crescimento de 164,8%. Pela primeira vez, todas as unidades da Federação registraram ao menos uma apreensão desse tipo de armamento.

O Rio de Janeiro continua concentrando o maior volume de apreensões, com 924 fuzis recolhidos em 2025, ante 355 em 2021. Já a Paraíba, que não registrava apreensões em 2021, contabilizou 25 casos em 2025. O estudo também destaca que armas de alto poder destrutivo, como fuzis calibre .50, passaram a ser utilizadas por facções em confrontos ligados ao tráfico de drogas.

Outro dado apontado pela pesquisa é a mudança no perfil do armamento apreendido. A participação das pistolas subiu de 20,7% para 27,8% entre 2021 e 2025, enquanto a dos revólveres caiu para 33,5%, indicando maior acesso de organizações criminosas a armas mais modernas.

O levantamento também aponta mudanças nas rotas de abastecimento do crime organizado. As apreensões da Polícia Federal relacionadas ao tráfico internacional de armas recuaram 42,2% entre 2019 e 2022, enquanto o mercado interno passou a ganhar relevância como fornecedor de armamentos para facções.

Além disso, a produção clandestina de armas tem avançado com o uso de impressoras 3D. Segundo o estudo, projetos de armamentos conhecidos como ghost guns circulam na internet e permitem a fabricação de armas sem identificação de origem. A pesquisa estima que sete em cada dez fuzis apreendidos no país não possuem rastreabilidade.

Neste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um engenheiro suspeito de desenvolver modelos de armas para impressão em 3D e de liderar um esquema de fabricação clandestina destinado ao Comando Vermelho. Investigações também identificaram oficinas ilegais em São Paulo e Minas Gerais voltadas à produção de fuzis para organizações criminosas.

 
 

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