Federação Israelita de SP critica Lula por fala sobre “genocídio” em Gaza
Entidade acusa presidente de retórica ideológica e diz que Brasil se isola ao se alinhar com regimes autoritários
Por: Redação
07/07/2025 às 10:06

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi
A Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgou neste domingo (6.jul.2025) uma nota dura contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações dadas por ele na Cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro. Durante a sessão plenária, Lula voltou a afirmar que Israel comete “genocídio” na Faixa de Gaza e também criticou os ataques à integridade territorial do Irã.
Segundo a entidade, Lula isola o Brasil no cenário internacional, adota uma "retórica ideológica" e "ignora a realidade dos fatos" ao culpar exclusivamente Israel pelo conflito com o Hamas.
“Ao voltar a acusar Israel de genocídio e defender que a solução do conflito passa exclusivamente pelo fim da ‘ocupação israelense’, o presidente ignora, mais uma vez, a realidade dos fatos”, disse a federação. “Escolhe o caminho da retórica ideológica, e não da responsabilidade diplomática.”
A crítica da entidade também menciona a ausência de qualquer referência ao grupo extremista Hamas no discurso presidencial. Para a Federação, ao “não citar o Hamas e condenar Israel, Lula toma partido do conflito”, o que, segundo a nota, compromete qualquer pretensão de mediação brasileira no Oriente Médio.
Além disso, o comunicado acusa Lula de “desrespeitar a memória das vítimas do Holocausto” ao usar o termo genocídio, o que, na visão da federação, banaliza um dos crimes mais graves da história.
“Lula se aproxima da Rússia, da Venezuela e do Irã, mas se afasta de democracias e ignora o sofrimento de civis israelenses. Participa de cúpulas ao lado de ditadores, mas não aperta a mão do presidente dos Estados Unidos”, escreveu a entidade. “Se diz mediador da paz, mas só aponta o dedo para um lado. Isso não é neutralidade. É cumplicidade.”
A fala de Lula foi feita no mesmo dia em que o BRICS divulgou um comunicado conjunto defendendo que países tenham autonomia para regular a inteligência artificial, além de condenar medidas coercitivas unilaterais, sem citar diretamente Estados Unidos ou Israel.
A presidência brasileira no BRICS tem adotado tom crítico à política externa ocidental, especialmente em temas como Gaza e Ucrânia. A retórica do governo, porém, tem sido alvo de reações de aliados tradicionais e de entidades representativas como a Federação Israelita.
O Planalto não se manifestou até o momento sobre a nota.
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