O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu um processo de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas sobre produtos brasileiros. A iniciativa foi anunciada na noite desta quinta-feira (13) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
O procedimento será conduzido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A abertura do processo, porém, não significa que o governo já tenha decidido quais medidas serão aplicadas contra os norte-americanos.
A Camex deverá avaliar o cenário e apresentar alternativas ao Executivo. A decisão final caberá ao presidente Lula. O governo ainda não estabeleceu um prazo para a conclusão da análise.
Itamaraty pede negociação
Paralelamente ao processo de reciprocidade, o Ministério das Relações Exteriores notificou o governo dos Estados Unidos e solicitou a abertura de consultas diplomáticas. O objetivo declarado pelo Itamaraty é tentar “mitigar ou anular” as tarifas aplicadas às exportações brasileiras.
As taxas norte-americanas de 25% foram anunciadas em 15 de julho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e entraram em vigor no dia 22. Segundo a justificativa apresentada pelo governo norte-americano, a medida levou em consideração alegações relacionadas a trabalho forçado e desmatamento ilegal no Brasil.
Apesar da abrangência do tarifaço, alguns dos principais produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano ficaram de fora das novas tarifas, entre eles café, suco de laranja e carnes.
Flávio participou de audiência nos EUA
Antes da entrada em vigor das tarifas, o USTR realizou audiências em Washington para discutir a medida. O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, participou dos encontros e defendeu os interesses do setor produtivo brasileiro.
Entidades empresariais, como a Sociedade Rural Brasileira, também se posicionaram contra a aplicação de tarifas adicionais. O governo Lula, por outro lado, não enviou representantes oficiais às discussões realizadas nos Estados Unidos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou posteriormente que a equipe brasileira “não negociou de boa-fé”. O governo brasileiro também acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a decisão norte-americana.
Comércio entre Brasil e EUA recuou
A reportagem destaca ainda que o comércio entre os dois países registrou queda de quase 13% no primeiro semestre. O cenário amplia a pressão sobre o governo brasileiro para encontrar uma saída diplomática ou comercial para as tarifas.
Com a abertura do processo, o Executivo passa agora a avaliar possíveis respostas. A definição sobre eventuais medidas de retaliação dependerá da análise da Camex e de uma decisão posterior de Lula.