Haddad defende gestão Lula e atribui desafio fiscal a herança de Bolsonaro
Em sabatina, candidato ao governo de SP afirma que atual administração fez forte ajuste nas contas, critica Tarcísio e diz que Lula jamais interferiu em investigações
Por: Redação
19/08/2026 às 19:46

Foto: Ricardo Stuckert
O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defendeu nesta quarta-feira (19) a condução econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva e atribuiu parte das dificuldades fiscais enfrentadas pelo país ao cenário herdado da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu durante uma sabatina promovida por O Globo, CBN e Valor. Haddad afirmou que o governo atual conseguiu conter despesas e classificou o ajuste fiscal realizado durante o terceiro mandato de Lula como um dos maiores do mundo.
Haddad cita rombo e PEC da Transição
Ao ser questionado sobre os R$ 145 bilhões autorizados pelo Congresso na PEC da Transição, Haddad argumentou que a medida foi necessária porque a gestão anterior não teria deixado recursos suficientes para manter o Bolsa Família em R$ 600 e cumprir o pagamento de precatórios.
O petista também mencionou a decisão tomada em 2021 de limitar o pagamento de precatórios, medida adotada pelo governo Bolsonaro com o argumento de abrir espaço no Orçamento para o então Auxílio Brasil.
A avaliação de Haddad sobre o ajuste fiscal, porém, é contestada pelos números apresentados na própria reportagem. A dívida bruta do setor público chegou a 81,9% do PIB em junho, equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central citados no texto. A projeção apresentada é de que o indicador ultrapasse 87% até o fim do ano.
Candidato diz que Lula fez grande ajuste nas contas
Haddad afirmou que o governo Lula realizou o terceiro maior ajuste fiscal do mundo, atribuindo o reconhecimento ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
A reportagem, contudo, registra que, em julho, o FMI destacou a resiliência da economia brasileira e o funcionamento do Pix, além de defender o aperfeiçoamento do arcabouço fiscal e a autonomia do Banco Central. O texto não apresenta uma confirmação do organismo internacional para a afirmação feita pelo ex-ministro.
Haddad critica gestão de Tarcísio
Na sabatina, Haddad também direcionou críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário na disputa pelo governo paulista.
O petista afirmou que o equilíbrio das contas de São Paulo dependeu de renegociações da dívida estadual feitas pela União. Segundo Haddad, o acordo teria representado um benefício de aproximadamente R$ 12 bilhões ao Estado.
Ele sustentou ainda que, mesmo com a renegociação, as contas estaduais permaneceriam deficitárias e seriam compensadas por receitas extraordinárias obtidas com privatizações.
Segurança pública também entrou no debate
Haddad apresentou propostas para a área de segurança pública e defendeu a criação de uma agência de combate ao crime organizado, reunindo representantes das polícias Federal, Civil e Militar.
O candidato também prometeu ampliar o uso de câmeras corporais por policiais. Ao criticar a política de segurança de Tarcísio, afirmou que os R$ 600 milhões destinados à Muralha Paulista não teriam produzido os resultados esperados e citou um aumento de 80% na letalidade policial durante a atual gestão.
Haddad comenta investigação envolvendo Lulinha
Questionado sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, Haddad defendeu a atuação das instituições de investigação e afirmou confiar na postura de Lula.
A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas aos dois. Haddad declarou que nunca viu o presidente interferir em favor de alguém e afirmou que eventuais responsáveis devem responder perante a Justiça.
A declaração ocorre enquanto a PF mantém investigações sobre possíveis relações entre Lulinha, lobistas e pessoas investigadas em esquemas envolvendo órgãos do governo federal.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil




