Lula classifica captura de Maduro pelos EUA como “inaceitável”
Presidente defende julgamento do venezuelano pela Justiça local e critica intervenção militar norte-americana
Por: Redação
20/02/2026 às 18:53

Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos é “inaceitável” e defendeu que qualquer julgamento de Maduro seja conduzido pela Justiça da Venezuela, e não pela norte-americana. A declaração foi feita em entrevista à emissora indiana India Today, durante sua visita oficial à Índia.
Lula afirmou que a intervenção dos EUA representa uma interferência inaceitável nos assuntos internos de outro país. “Não há explicação para isso. E acredito que, se o Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser em seu país, não no exterior”, disse o presidente, acrescentando que a integridade territorial e a soberania das nações devem ser respeitadas.
O chefe do Executivo também ressaltou a importância de consolidar o processo democrático na Venezuela e trabalhar pelo restabelecimento da democracia no país, em vez de externalizar seu julgamento.
Captura de Maduro
Em 3 de janeiro, forças dos Estados Unidos realizaram uma operação militar em Caracas que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para Nova York, onde enfrentam acusações federais por narcotráfico e narcoterrorismo nos tribunais americanos. A ação incluiu ataques a alvos em território venezuelano e foi descrita por Washington como uma “missão policial” apoiada por forças armadas. Maduro e Flores se declararam inocentes perante a Justiça dos EUA e aguardam audiência nos tribunais de Manhattan.
A operação gerou reação de governos e especialistas internacionais, que têm questionado sua legalidade e impacto sobre a soberania venezuelana.
Reforço ao discurso de soberania
Com a declaração, Lula reforça a posição de que questões judiciais ligadas a chefes de Estado devem ser tratadas por instâncias internas, sem a imposição de ação externa, e que o foco deve ser a reconstrução democrática na Venezuela após anos de instabilidade política.
A fala ocorre em meio a uma agenda internacional que inclui discussões bilaterais com os EUA e esforços para ampliar relações comerciais e de cooperação em tecnologia e segurança entre Brasília e Washington.
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