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Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Flávio Bolsonaro de pedir interferência externa

Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Flávio Bolsonaro de pedir interferência externa

Presidente reage à classificação das facções como organizações terroristas, defende soberania nacional e afirma que combate ao crime deve ocorrer no Brasil

Por: Redação

29/05/2026 às 14:56

Imagem de Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Flávio Bolsonaro de pedir interferência externa

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Durante evento em Sergipe, o petista afirmou que o combate às facções deve ocorrer sob responsabilidade do Estado brasileiro e reagiu ao que classificou como risco de interferência externa em assuntos nacionais.

A declaração foi feita durante cerimônia de anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras no estado, em Laranjeiras (SE). Ao comentar o tema, Lula disse estar preocupado com a possibilidade de autoridades norte-americanas ampliarem influência sobre questões de segurança pública no Brasil e criticou declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. “Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades e para a sociedade brasileira”, afirmou o presidente. “Eles roubam tudo a que o povo tem direito. Então, eles são terroristas, e nós vamos combatê-los aqui dentro.”

No discurso, Lula também criticou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos e se reuniu com o presidente Donald Trump e com Marco Rubio antes do anúncio da medida. Sem citar detalhes da agenda, o presidente acusou o parlamentar de incentivar pressão externa sobre o país. “Não tem vergonha na cara de trair a pátria, de ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.

Enquanto Lula discursava, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota reforçando a posição do governo sobre soberania nacional. O comunicado afirmou que a segurança pública não deve ser usada politicamente e criticou, sem mencionar diretamente a família Bolsonaro, o que chamou de atuação de “falsos patriotas” que buscam interferência estrangeira em assuntos brasileiros.

Nos bastidores do governo, ministros do núcleo político e diplomático se reuniram no Palácio do Planalto para discutir possíveis respostas institucionais à decisão dos Estados Unidos. Participaram do encontro integrantes da Casa Civil, Ministério da Fazenda, Itamaraty, Advocacia-Geral da União (AGU) e Secom. O governo avalia impactos diplomáticos, jurídicos e econômicos da medida anunciada por Washington.

A decisão do Departamento de Estado norte-americano incluiu PCC e Comando Vermelho em listas de Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. Segundo autoridades dos EUA, pessoas e empresas que realizarem transações financeiras ou apoio material aos grupos poderão ser alvo de sanções, processos criminais e restrições legais a partir de 5 de junho. O governo Lula tem argumentado que a classificação pode ampliar mecanismos de pressão externa e abrir precedentes considerados sensíveis para a soberania brasileira.

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