Lula libera bilhões em emendas, mas Congresso continua insatisfeito
Mesmo com alta nos repasses, Planalto enfrenta resistência do Legislativo e corre para evitar derrotas em votações decisivas
Por: Redação
03/07/2025 às 23:28

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta acalmar a base aliada no Congresso por meio da liberação de emendas parlamentares. Até esta quinta-feira (3), o Executivo desembolsou R$ 1,241 bilhão, um salto de R$ 174 milhões em apenas um dia, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). Ainda assim, o valor representa apenas 2,48% do total reservado para o ano — uma cifra robusta de R$ 50 bilhões.
A ofensiva orçamentária ocorre em meio à deterioração da relação entre Executivo e Legislativo, agravada após o Congresso derrubar o decreto de Fernando Haddad que alterava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O Planalto agora se vê encurralado e tenta acelerar o pagamento das emendas para evitar novos reveses.
Entre segunda-feira (30) e quinta, o volume de recursos empenhados — ou seja, formalmente reservados — saltou quase R$ 1 bilhão, passando de R$ 3,847 bilhões para R$ 4,833 bilhões. No entanto, o gesto não foi suficiente para conter a insatisfação crescente entre deputados e senadores.
Enquanto o Palácio do Planalto ensaia gestos de aproximação, o Congresso intensifica seu próprio movimento de empoderamento. O Centrão, que dita o ritmo da política orçamentária, articula um novo calendário de emendas para 2026, mirando as eleições municipais e cobrando uma LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) sob medida para atender aos interesses parlamentares.
Na quarta-feira (2), a Câmara aprovou com folga o regime de urgência do PLP 41/2019, que revê regras de incentivos fiscais. A matéria pode ser levada diretamente ao plenário, driblando comissões e deixando claro o recado: ou o governo se adapta ao jogo político, ou continuará acumulando derrotas.
Mesmo com os cofres abertos, o governo Lula parece perder força no tabuleiro do poder. A liberação de recursos, que deveria ser moeda de troca, tem se mostrado cada vez menos eficiente diante da voracidade do Congresso por controle orçamentário e previsibilidade política.
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