Início
/
Notícias
/
Brasil
/
Mais de 49 mil brasileiros aguardam por transplante; 50 crianças morreram na fila em 2025
Mais de 49 mil brasileiros aguardam por transplante; 50 crianças morreram na fila em 2025
País realizou 586 transplantes pediátricos no ano passado, mas falta de órgãos compatíveis e recusa familiar ainda dificultam a redução da espera
Por: Redação
02/09/2026 às 09:49

Foto: Divulgação
Mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Brasil. Cerca de 3 mil pacientes morrem todos os anos antes de conseguir o procedimento, conforme dados do Ministério da Saúde.
Entre as crianças, a espera apresenta obstáculos adicionais. Em 2025, 50 pacientes pediátricos morreram antes de receber um transplante, enquanto foram realizados 586 procedimentos nessa faixa etária, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT).
O cenário ganha atenção durante o Setembro Verde, período dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
Compatibilidade reduz número de doadores para crianças
A dificuldade para os pacientes pediátricos não está apenas na disponibilidade de órgãos. O tamanho do órgão também precisa ser compatível com o corpo da criança, o que reduz o número de possíveis doadores.
“Órgãos infantis costumam ser compatíveis, em geral, com receptores de tamanho semelhante, o que significa que o número de doadores possíveis é bem menor. Isso faz com que crianças, na maioria das vezes, esperem mais tempo na fila por um órgão de tamanho adequado”, explica o cirurgião Fábio Navarro, responsável pelo Serviço de Transplante Cardíaco do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
A espera prolongada pode afetar diretamente a rotina e o desenvolvimento dos pacientes. Para crianças que dependem de um transplante, o procedimento pode representar a possibilidade de deixar o ambiente hospitalar e retomar atividades próprias da infância.
Recusa familiar ainda é um dos principais obstáculos
Outro fator que limita o número de transplantes é a decisão das famílias. Em aproximadamente 45% dos casos, os parentes não autorizam a doação de órgãos.
Entre os potenciais doadores pediátricos, também houve redução. O número caiu de 274 em 2023 para 211 em 2025.
No Brasil, a autorização da família é necessária para a doação de órgãos de uma pessoa falecida. Por isso, especialistas defendem que o tema seja discutido previamente dentro de casa.
“Famílias que já conversaram sobre o assunto tendem a autorizar a doação com mais tranquilidade e segurança”, afirma Navarro. Para ele, esclarecer dúvidas e combater informações equivocadas pode contribuir para reduzir as recusas.
O Ministério da Saúde informa que um único doador pode beneficiar até oito pessoas.
História de bebê mostra impacto do transplante
A experiência de Isabela, de 11 meses, ilustra a importância da disponibilidade de órgãos compatíveis. Ainda durante a gestação, exames apontaram uma alteração que levou os médicos a investigar a possibilidade de um tumor.
Após o nascimento, a bebê foi encaminhada ao Hospital Pequeno Príncipe e passou 30 dias na UTI Neonatal. Os exames identificaram um fibroma cardíaco inoperável, e o transplante de coração passou a ser a única alternativa de tratamento.
A família permaneceu três meses na fila até receber a notícia da existência de um coração compatível.
“Não achei que fosse chegar tão rápido. Foi uma felicidade gigante. Após o transplante, posso ver que minha filha está mais ativa. Hoje, ela vive”, contou a mãe, Caroline Antônia da Silva de Paula.
Para o especialista, ampliar a conscientização sobre a doação é uma das formas de aumentar as possibilidades de atendimento aos pacientes que aguardam por um órgão. “Quanto mais se fala em doação de órgãos, mais vidas podem ser salvas”, afirmou Navarro.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil




