Ministros de Lula defendem reação ao afastamento de Andrei Rodrigues da PF
Integrantes do governo avaliam recorrer ao plenário do STF e pedem reunião de Lula com Edson Fachin após decisão de André Mendonça
Por: Redação
08/09/2026 às 17:03

Foto: Reprodução
Ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva passaram a defender uma resposta institucional à decisão que afastou temporariamente Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Entre as medidas discutidas está a apresentação de recurso ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma reunião considerada urgente com o presidente da Corte, Edson Fachin.
Integrantes do Executivo também avaliam que Lula deveria convocar o Conselho da República, órgão de consulta da Presidência previsto no artigo 89 da Constituição. A avaliação de parte dos ministros é de que o país atravessa uma “crise institucional”, o que justificaria a convocação do colegiado.
A reação ocorre após o ministro André Mendonça determinar o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Costa. A decisão está relacionada a documentos produzidos pela área de inteligência da corporação e encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News.
Relatórios de inteligência estão no centro do caso
Segundo a decisão de Mendonça, Rodrigues encaminhou a Moraes pelo menos seis relatórios de inteligência produzidos sob sigilo entre 3 e 31 de agosto de 2026.
O conteúdo dos documentos também envolvia análises sobre o próprio Mendonça e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão afirma que o ministro do STF teria sido submetido a monitoramento sistemático por mais de 30 dias.
No caso de Messias, os documentos teriam analisado sua atuação em decisões relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero. Uma das hipóteses registradas no material era de que o chefe da AGU teria deixado de recorrer de determinadas decisões para preservar uma suposta relação política com o ministro responsável pelo caso.
Mendonça questionou essa interpretação e determinou a apuração da produção dos relatórios pela Corregedoria da Polícia Federal. A decisão também suspendeu a elaboração e a circulação de documentos de inteligência voltados à análise de atos de ministros, integrantes da advocacia pública e autoridades da Polícia Judiciária.
Governo discute próximos passos
Diante do afastamento de Rodrigues, ministros de Lula defendem que o Executivo avalie medidas para contestar a decisão no próprio Supremo. A possibilidade de levar o caso ao plenário da Corte está entre as alternativas discutidas.
A articulação também envolve uma tentativa de diálogo com Fachin, que assumiu a Presidência do STF. A intenção, segundo os integrantes do governo citados no material, é discutir a situação e buscar uma saída institucional para o conflito entre órgãos do Estado.
A decisão de Mendonça ocorre em meio a uma disputa que envolve a atuação da Polícia Federal, o Supremo e integrantes do governo federal, com questionamentos sobre os limites da atividade de inteligência da corporação e a utilização dos relatórios produzidos durante as investigações.
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