O delegado William Marcel Murad, atual diretor-executivo da Polícia Federal (PF), assumiu o comando da corporação após o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi posteriormente referendada pela maioria da 2ª Turma da Corte.
Até então considerado o número dois da estrutura da PF, Murad possui mais de 20 anos de carreira na instituição e acumulou funções em áreas como inteligência, combate ao crime organizado, repressão ao tráfico de drogas, tecnologia e cooperação internacional.
A mudança ocorre em meio à decisão de Mendonça que também afastou o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro determinou ainda que a Corregedoria da corporação investigue a produção de relatórios de inteligência relacionados ao monitoramento de autoridades.
Trajetória começou em 2002
Murad ingressou na Polícia Federal em 2002, após ser aprovado em primeiro lugar no curso de formação profissional para delegado. É bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e realizou formação complementar no FBI National Academy, nos Estados Unidos, em 2010.
Também concluiu o curso superior de polícia da Academia Nacional de Polícia, em 2012. Antes disso, em 2003, participou de treinamento em inteligência antidrogas realizado em Lima, no Peru, e, em 2005, fez o curso de inteligência policial da própria PF.
Entre 2002 e 2004, trabalhou na Superintendência da PF em Pernambuco, onde ocupou a chefia substituta da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Na sequência, entre 2004 e 2008, exerceu funções de comando no Rio Grande do Norte. No Estado, esteve à frente da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, do Núcleo de Inteligência Policial e da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Posteriormente, Murad comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários da PF, entre 2008 e 2010. Também chefiou a Delegacia da Polícia Federal em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, até 2013.
Experiência no exterior
A carreira do delegado inclui ainda atuação internacional. Entre 2021 e 2024, Murad trabalhou como adido policial federal no Reino Unido e na Irlanda do Norte.
Após retornar ao Brasil, assumiu em janeiro de 2025 a diretoria-executiva da Polícia Federal, posição que ocupava antes de passar ao comando da instituição.
Murad defende atuação técnica da PF
A mudança na direção ocorreu no mesmo dia em que Murad participava da cerimônia de abertura do curso de formação profissional para agentes da Polícia Federal. Durante o evento, ele comentou a situação da corporação e reafirmou confiança em Andrei Rodrigues.
“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem”, afirmou.
Murad também declarou que o momento exigia serenidade e disse que a PF atravessaria a situação mantendo sua atuação institucional.
Segundo o delegado, o trabalho dos policiais é “técnico, imparcial e livre de qualquer viés político”. Ele afirmou ainda que a atuação dentro da lei e o compromisso com o interesse público davam confiança para a continuidade das investigações.
A chegada de Murad ao comando da PF ocorre, portanto, em um momento de forte pressão sobre a estrutura da corporação, com a direção anterior afastada por determinação judicial e investigações em andamento sobre a produção e utilização de relatórios de inteligência.