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Ministros do STF pressionam Alcolumbre para barrar instalação da CPMI do Banco Master

Ministros do STF pressionam Alcolumbre para barrar instalação da CPMI do Banco Master

Moraes e Toffoli atuam nos bastidores do Senado para evitar nova frente de investigação; oposição vê tentativa de blindagem institucional

Por: Redação

08/02/2026 às 22:07

Imagem de Ministros do STF pressionam Alcolumbre para barrar instalação da CPMI do Banco Master

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm pressionado integrantes do Senado, especialmente o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para impedir a instalação da CPMI do Banco Master, já requerida com apoio formal de parlamentares. As articulações envolvem diretamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, segundo relatos de bastidores confirmados por fontes do Senado.

O pedido de criação da comissão foi protocolado com 281 assinaturas — 42 senadores e 239 deputados — número superior ao mínimo exigido pelo regimento. O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o partido que mais contribuiu com assinaturas, somando 89 apoios.

De acordo com relatos obtidos pela imprensa, os ministros do STF argumentam que a CPMI poderia aprofundar o desgaste da imagem da Corte, especialmente em um momento em que decisões de Toffoli, relator do caso Master no Supremo, passaram a ser questionadas publicamente. Entre elas, estão a imposição de sigilo sobre investigações, a convocação de acareação antes da oitiva de investigados e a tentativa inicial de centralizar no gabinete do ministro o material apreendido na Operação Compliance Zero — decisão posteriormente revista, com envio dos dados à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Outro ponto sensível envolve familiares dos ministros. A eventual instalação da CPMI poderia levar à convocação de pessoas ligadas aos magistrados. Conforme revelado anteriormente, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, firmou contrato com o Banco Master que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando R$ 130 milhões — tema que não foi aprofundado no depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro ao STF em dezembro.

Nos bastidores, Alcolumbre tem sinalizado que não pretende autorizar a CPMI nos moldes atuais. Uma alternativa cogitada seria a instalação de uma CPI apenas no Senado, onde o presidente da Casa teria maior controle sobre a composição e os rumos da investigação, diferentemente de uma comissão mista.

Autor do requerimento, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) defendeu a abertura da comissão e criticou a tentativa de barrar as apurações. “A CPMI não tem competência para convocar ministros, mas pode convocar aqueles que estão no entorno dos ministros, que têm indícios de participação, envolvimento e relações promíscuas no caso Banco Master”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Não dá para varrer a sujeira para debaixo do tapete. Toffoli não poderia ser relator [do caso Master no STF], tinha de ser investigado.”

O requerimento da CPMI também pede apuração sobre “eventuais conexões entre gestores privados, intermediários financeiros, agentes públicos e autoridades”, além de possíveis “omissões regulatórias, pressões institucionais ou tentativas de interferência indevida” na atuação do Banco Central do Brasil, especialmente no processo de liquidação extrajudicial do Banco Master e na tentativa de venda da instituição a um banco estatal.

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