Início
/
Notícias
/
Brasil
/
MPF pede que Hospital Albert Einstein adote cotas em programas de residência médica
MPF pede que Hospital Albert Einstein adote cotas em programas de residência médica
Ação judicial cobra reserva de vagas para grupos previstos em normas federais e abertura de editais complementares para seleção de 2026
Por: Redação
09/06/2026 às 22:12

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para que o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, passe a adotar políticas de cotas em seus programas de residência médica. A medida também inclui o pedido de abertura de editais complementares para o processo seletivo de 2026.
Segundo a ação, o hospital deveria reservar 30% das vagas para candidatos negros. O MPF também solicita a destinação de 10% das vagas para pessoas com deficiência, além de 5% para indígenas, 5% para quilombolas e 5% para pessoas transexuais.
De acordo com os procuradores, o Albert Einstein deixou de aplicar regras previstas pelo Ministério da Saúde no processo seletivo realizado neste ano. O órgão sustenta que as diretrizes federais também devem ser observadas por instituições privadas que oferecem programas de residência médica.
O processo tramita na 8ª Vara Federal Cível de São Paulo. Na ação, o MPF argumenta que a ausência de cotas contraria políticas públicas voltadas à ampliação da diversidade na formação de médicos especialistas.
Entre os fundamentos apresentados, o Ministério Público destaca que o hospital recebe benefícios públicos por meio de imunidades tributárias federais e participa de programas ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Por essa razão, o órgão entende que a residência médica não pode ser tratada como uma atividade exclusivamente privada.
A ação foi assinada pela procuradora da República Ana Letícia Absy, que sustenta que o acesso a benefícios fiscais gera obrigações relacionadas à promoção da igualdade de oportunidades e à redução de desigualdades históricas. O MPF também afirma que a adoção de cotas pode ampliar a representatividade nos programas de especialização médica.
Procurado sobre o caso, o Hospital Albert Einstein informou que ainda não havia sido oficialmente citado pela Justiça e que sua equipe jurídica não teve acesso ao conteúdo completo da ação. A instituição afirmou que não comentará o processo antes de analisar os detalhes da demanda judicial.
O caso deve abrir uma discussão sobre a aplicação das políticas de cotas em programas de residência médica mantidos por instituições privadas que possuem benefícios públicos ou parcerias com o sistema de saúde.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil



