Relação com Alcolumbre desafiará eventual sucessor de Jaques Wagner
Pressão sobre líder do governo cresce após operação da PF e sucessor terá missão de reconstruir pontes com Alcolumbre e destravar pautas do Planalto
Por: Redação
23/06/2026 às 10:00

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A possível saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após ser alvo da Operação Compliance Zero, pode abrir uma nova fase na articulação política do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.
Embora negue irregularidades e tenha recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão que autorizou a operação, o parlamentar enfrenta pressão nos bastidores para deixar o cargo e reduzir os impactos políticos do caso sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Relação desgastada com Alcolumbre
Um dos principais desafios para quem assumir a liderança será recompor a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo relatos de bastidores, o relacionamento entre os dois se deteriorou após a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre teria atribuído a Jaques Wagner a articulação da indicação, que acabou rejeitada pelo Senado.
Desde então, o contato entre ambos foi reduzido, e interlocutores relatam que temas de interesse do governo passaram a ser tratados prioritariamente por outros integrantes da base aliada.
Pautas estratégicas seguem paradas
O desgaste político coincidiu com dificuldades do governo para avançar em projetos considerados prioritários.
Entre as propostas que enfrentam resistência no Senado estão a PEC do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, além de projetos relacionados à exploração de minerais estratégicos e vetos presidenciais que ainda aguardam deliberação do Congresso.
Integrantes do governo também reclamam do avanço de propostas com potencial impacto fiscal, conhecidas como "pautas-bomba", que vêm sendo discutidas pela Casa apesar das objeções da equipe econômica.
Operação ampliou pressão
Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master.
A Polícia Federal apura se o senador teria atuado em favor de interesses ligados à instituição financeira em troca de vantagens econômicas. O parlamentar nega as acusações e afirma confiar no esclarecimento dos fatos.
Apesar da investigação, Alcolumbre saiu em defesa do princípio da presunção de inocência e declarou publicamente que Jaques Wagner terá a oportunidade de apresentar sua versão ao longo do processo.
Nos bastidores, integrantes do Planalto avaliam que a definição sobre a permanência ou não de Jaques na liderança poderá influenciar diretamente a capacidade de articulação do governo no Senado nos próximos meses.
A avaliação é que o eventual sucessor precisará não apenas administrar os reflexos políticos da investigação, mas também reconstruir canais de diálogo com o comando da Casa para tentar avançar com a agenda legislativa considerada prioritária pelo governo.
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