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Nova delação de Vorcaro passa a apontar propina para Ciro Nogueira e Cláudio Castro
Nova delação de Vorcaro passa a apontar propina para Ciro Nogueira e Cláudio Castro
Empresário altera versão apresentada anteriormente e atribui benefícios a supostas contrapartidas políticas e financeiras
Por: Redação
10/06/2026 às 08:00

Foto: Reprodução
O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, modificou pontos centrais de sua nova proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo fontes com acesso ao material, o banqueiro passou a classificar como propina situações que anteriormente descrevia como relações pessoais ou de amizade envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
Na nova versão do acordo, Vorcaro afirma que repasses e vantagens teriam sido concedidos a Cláudio Castro em troca de aportes milionários realizados pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e pelo Rioprevidência no Banco Master.
Em relação ao senador Ciro Nogueira, o empresário passou a sustentar que viagens e outros benefícios custeados por ele teriam sido oferecidos como contrapartida pela apresentação da chamada "Emenda Master" no Congresso Nacional.
A proposta legislativa foi apresentada em 2024 e previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF em caso de quebra de instituições financeiras. O texto, contudo, não avançou no Congresso.
A nova narrativa representa uma mudança em relação à primeira proposta de delação. Na versão anterior, Vorcaro tratava sua relação com Ciro Nogueira como uma amizade pessoal, sem associar os benefícios a qualquer contrapartida política.
Segundo aliados do empresário, a alteração ocorreu após investigadores encontrarem mensagens trocadas entre Vorcaro, Ciro Nogueira e Cláudio Castro durante a análise do celular apreendido do banqueiro.
A nova proposta foi entregue à PF e à PGR na semana passada. Os órgãos agora analisam se o conteúdo apresentado reúne elementos suficientes para justificar a celebração de um acordo de colaboração premiada.
Divergência entre defesa e investigadores
A proposta é alvo de avaliações divergentes entre investigadores e a defesa de Vorcaro.
Integrantes da Polícia Federal avaliam que o material ainda não apresentaria elementos relevantes o bastante para justificar benefícios decorrentes de uma colaboração premiada. Já os advogados do empresário sustentam que o novo documento contém fatos inéditos e informações que ainda não eram de conhecimento das autoridades.
Políticos negam irregularidades
Procurado por interlocutores, Cláudio Castro nega ter recebido qualquer vantagem indevida de Vorcaro e afirma que o empresário precisaria comprovar as acusações feitas na proposta de delação.
Ciro Nogueira também rejeita a existência de irregularidades e nega que tenha recebido qualquer benefício em troca de atuação parlamentar.
Até o momento, não há decisão da PF ou da PGR sobre a aceitação da nova proposta de colaboração apresentada pelo ex-controlador do Banco Master.
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